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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Mitologia Japonesa - Tradução do Kojiki Parte 1

A tradução efectuada do Kojiki (visto não existir em português) a partir do francês. Traduzir o Kojiki, esse considerado "livro nacional, guia do povo, jóia literária do Japão",  com o primeiro capítulo esperando poder traduzir os restantes.


Capítulo 1
Céu e terra não correspondiam a mais do que um. Tudo se resumia a uma massa disforme, que não abrigava vida e que flutuava no espaço como o faria uma alforreca no oceano. Com o tempo, a parte considerada como pura separou-se e veio a formar o céu, o que sobrava uniu-se em baixo numa massa viscosa: a Terra.

Ainda sem forma, o planeta deslocava-se lentamente no ether. Nenhum astro iluminava o céu para alem das longínquas estrelas cintilantes. Os primeiros Kamis (deuses) aparecerem espontaneamente no céu ignorando a sua proveniência.
No início apenas existiam três: Amano Minakanushi no Mikoto ("Augusto Kami do centro do universo" criador da estrela do norte), Takami Musubi no Mikoto (Augusto Kami criador das maravilhas) e Kami Musubi no Mikoto (O kami criador dos tesouros).

Mas as suas existências foram breves e desapareceram sem deixar rasto.
Depois, de um bambu nasceram dois novos kamis que conheceram um destino em todo semelhante aos três primeiros.

Novos Kamis apareceram. Sete casais mais exactamente. Muito depressa, apenas subsistiam seis, assim que os dois primeiros Kamis desapareceram por sua vez. Os casais sobreviventes decidiram instalar-se na via láctea e puseram-se logo ao trabalho, tentando criar um novo universo.

Compostos, ao último casal foi dada a tarefa mais complexa: fixar e dar forma a massa viscosa chamada Terra.

Assim, Izanagi (o macho que recebe) e Izanami (a femea que convida) dirigiram-se para a Terra equipados como uma lança de ouro e de pedras preciosas chamada Ameno Nuboko.

Os dois kamis incarnavam a perfeição física: Izanagi o barbudo de cabelo muito comprido e dotado de uma força admirável. Izanami é a mais bela mulher que se possa ver: traços delicados, seu rosto branco e na sua silhueta a elegância perfeita.
Izanagi mergulha a sua lança na Terra e começa a amassar com força. Mas tirando a sua lança uma grande gota formou uma pequena ilha no limite da agua. (Diz-se que é a ilha de Onogoro).

Os dois kamis surpresos observaram longamente a sua criação:
Seres começam a ocupar a ilha e os dois observam a sua reprodução.
Sendo puros ignoravam tudo acerca da arte do "amor".
Decidiram então acomodar-se na ilha.

Izanami vivia feliz: a sua criação era maravilhosa e ela ria. Izanagi também ria e isso acabou por despertar a atenção dos outros Kamis da via láctea.

Aproximaram-se para ver o que acontecia e encontraram-se com Izanagi e Izanami sentados numa pedra. Como poderia uma simples pedra provocar tanta alegria. Os Kamis perturbados voltaram para seus lugares respectivos.

Izanami ja não via Izanagi da mesma maneira: ela fascinada pela sua beleza, presença e força. Ela pediu-o então em casamento. Ele aceitou sem hesitar.

Tudo poderia ter sido perfeito, mas o nascimento do seu primeiro filho trouxe os primeiros problemas. Esse tinha nascido sob a forma de um horrível verme. Os dois abandonaram a abominação numa barca feita de canas de bambu.
A segunda criança foi igualmente monstruosa.

Decidiram então interrogar os Kamis. Para tal, eles deveriam voltar para o reino implantado na via láctea: Takamanohara.

O casal mais antigo explicou-lhe que o seu casamento era a fonte de infelicidade: Com efeito, apenas Izanagi podia pedir em casamento a deusa e não o contrario.
Os dois subsistiram então no lugar dos Deuses.

Porém os dois encontravam-se muito infelizes e já não se falavam.
O tempo passou e Izanami recordou a época maravilhosa do início do seu amor.

Ela correu então para regressar a sua pequena ilha. Izanagi viu-a e considerou-a tão bela e radiosa que não tardou a segui-la.

O pequeno pedaço de terra era agora vestido de um luxuoso manto de verdura. Izanagi sentia-se renascer do seu amor reencontrado e pediu Izanami em casamento.
Fez-lhe um grande sorriso e os dois voltaram a casar.

A maldição foi levantada. Os seus primeiros filhos foram primeiro ilhas: A primeira Awaji, a segunda Shikoku, Oki, Kyûshû, Tsuhima, Honshû e Hokkaido. Seis novas ilhas nasceram a seguir, seguidas por mais de 3000 pequenas ilhas.
Foi assim que nasceu o Japão chamado na altura Wakoku.


Tradução de Matthieu Rego

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Shintoísmo ( xintoismo)



Estudiosos têm afirmado que o termo "Shintô"  (caminho dos deuses) foi inventado depois da chegada do budismo ao Japão, para que a tradição religiosa nativa pudesse se distinguir da nova religião. De fato, o termo foi  usado primeiro no Nihongi. Antes da chegada do budismo, a religião nativa era de natureza local, centrada na veneração e no culto aos kami, termo que se aplica a tudo que é sagrado , puro e poderoso. Os kami não eram apenas as divindades encontradas nos textos sagrados, mas também podiam ser pessoas, animais,árvores, plantas, rochas, montanhas e mares - qualquer coisa que parecesse impressionante, inspirasse admiração ou exibisse força vital. Antes da construção de santuários de madeira para a realização de cerimônias formais, os kami eram cultuados em sítios rituais nos arredores, ao ar livre. As crenças e práticas xintoístas tornaram-se mais padronizadas, em parte como reação à entrada do budismo e da cultura chinesas. De fato, o relacionamento e a interação entre o xintotísmo e o budismo estão no cerne na religião  japonesa.

fonte: Livro de ouro das religiões. trecho do autor  Jay Sakashita

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Sem intenção, sem certeza, sem parada, sem ego

"Dentro do nosso estilo, o praticante é um círculo sem intenção, sem certeza , sem parada, sem ego. Existe a claridade ao invés da escuridão, sem alterações no movimento, agindo com completa liberdade e agindo como se estivesse só, sem inimigos. Isso sim é natural, dentro do  princípios celestiais."


Trecho do Tenshin Dokuro (1686), de Odegiri Ichiun, segundo representante do estilo Sekiun Ryu.
Livro: Peregrinos do Sol, A Arte Da Espada Samurai. Autor: Luiz Kobayashi. Editora Estação Liberdade.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Kaisha Kenpô e Suhada Kenpô

As transições na forma de combate, bem como a mudança de uma era extremamente conturbada para uma relativa de paz, refletiu na esgrima japonesa.

Classificadas como kaisha kenpô, as primeiras técnicas desenvolvidas eram voltadas especificamente para o combate utilizando armaduras.

Dentre algumas de suas características, é possível citar o uso:

- de golpes que visam locais pouco protegidos pelas armaduras, para infligir maior dano;
- da armadura como escudo;
- de estocadas de baixo para cima para empalar o oponente;
- técnicas específicas de projeção (arremesso;
- da armadura do oponente para derrubá-lo.

Com a chegada da paz, Lutas com armaduras passaram a ser cada vez mais raras e as técnicas de esgrima sofreram alterações de forma que fossem mais eficazes contra oponentes sem armadura.

Com isso o Kaisha kenpô deu lugar ao chamado Suhada Kenpô, ou seja, esgrima sem armaduras. A maioria dos estilos remanescentes de esgrima japonesa são estios de Suhada Kenpô, embora váris estilos ainda mantenham técnicas de Kaisha Kenpô.


Fonte:
Livro: Peregrinos do Sol,A arte da espada samurai. Autor: Luiz Kobayashi. Editora Estação liberdade

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O sentido de bushidô , Tenshinshô-den Katori Shinto Ryu



"...O sentido de bushidô é o de fazer alguma coisa boa para o mundo, deixar no mundo uma marca benéfica, e depois ser capaz de desapegar-se do corpo humano e aceitar a morte. Porém, é muito fácil entender erroneamente esse conceito. Ele não se resume a sair em busca da morte. Se você tentar realizar algo e por algum motivo não conseguir fazer o que queria, não será muito produtivo pensar: ”Falhei, tenho de me matar”. O bushidô não tem nada que ver com um modo de vida tão irresponsável quanto esse. Quando a pessoa tenta fazer algo e não consegue, há também no bushidô o conceito de continuar a viver, mesmo que na desonra, se houver a possibilidade de corrigir o erro cometido ou remediar a situação. É esse o verdadeiro bushidô."

Risuke Otake Sensei de Tenshinshô-den Katori Shinto Ryu


fonte: http://taiadojo.blogspot.com.br/2013/04/bushido-o-caminho-do-guerreiro.html