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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Tradução dos nomes dos katas de Iaidô

Kata de Seitei iadô (Zen Nihon Renmei Iaidô)


01. Mae : "frente"
02. Ushiro : "atrás"
03.  Ukenagashi : "defesa fluida"
04. Tsuka-ate : "golpe com cabo"
05. Kesagari : "corte diagonal"
06. Morotezuki : "estocada com as duas mãos"
07. Sanpô-giri : "corte em três direções"
08. Ganmen-ate : "ataque ao rosto"
09. Soetezuki : "estocada com a mão apoiada"
10. Shihô-giri : "corte em quatro direções"
11. Sôgiri : "corte envolvente"
12. Nukiuchi : "saque e corte"



sexta-feira, 28 de junho de 2013

iaidō , estruturas da aulas


A prática do iaidō se reveste de grande profundidade pois o iai tem como objetivo o autodomínio do praticante e a derrota do adversário sem a necessidade de desembainhar a katana. Em outras palavras, a conquista psicológica do adversário sem que haja necessidade do uso da espada.
A prática é feita visualizando-se os inimigos de acordo com os princípios de cada kata, não tendo necessariamente um oponente físico. Para fins didáticos, podem-se executar os movimentos com oponentes reais.
Um iniciante na arte utiliza uma espada de madeira (bokutō) ou uma iaitō (espada com lâmina de liga metálica). Os praticantes mais avançados utilizam shinken, espadas de aço com fio.
Além dos katas, alguns estilos praticam também técnicas executadas com espadas desembainhadas (geralmente chamadas de kumitachi 組太刀). Outros estilos praticam também o tameshigiri 試し斬り ou o suemonogiri 据え物切り, que é o corte de rolos de palha de larguras equivalentes a partes do corpo humano.

Estrutura do kata 
Cada kata segue a mesma estrutura básica de quatro partes: Nukitsuke (desembainhar e cortar) Kirioroshi (corte principal com o uso das duas mãos) Chiburi (retirada do sangue da lâmina) e Noto (embainhar a espada); existem dentro desse formato variações consideráveis. Dentro das mais comuns encontram-se: golpear para frente com o tsuka (empunhadura da katana) antes de desembainhá-la, puxar a bainha (saya) para trás e golpear imediatamente girando-se para trás, cortar em ângulos diferentes de horizontal e vertical, e.g.: diagonalmente de baixo para cima e de cima para baixo ou pela lateral, entre outros.

 A prática
O formato do treino varia enormemente de acordo com o estilo a ser praticado. A diferença vai desde detalhes básicos, como a forma de amarrar o sageo, até grandes diferenças, como a proibição de todo e qualquer tipo de alongamento, para buscar o máximo realismo dentro da prática.
No Seitei iaidō, um seção típica de treino começa com aquecimento e alongamento. Em seguida faz-se o rito de etiqueta de abertura, que consiste de:




Kamiza ni rei (curvar-se para o lugar sagrado)
Sensei ni rei (curvar-se para o instrutor)
To rei (curvar-se para o katana)

Em seguida inicia-se uma seção de suburi (prática dinâmica de cortes) e kihon incluindo chiburi e noto. A depender do tamanho e nível da turma, outras técnicas derivadas dos katas são exercitadas antes da prática dos katas propriamente dita ser iniciada. A série de katas, freqüentemente, se inicia com o sensei explicando algum ponto que deve ser especialmente observado pela classe ou por algum subgrupo específico da mesma. A isso se segue a pratica formal, em que todos praticam os katas em conjunto sob o comando do líder do dojo ou um treino livre quando os katas são praticados sem sincronismo e individualmente, cabendo ao instrutor a observação e correção de pontos de cada praticante de forma individual. Ao final da seção, todos fazem a etiqueta de fechamento em conjunto.

Keiko
Esse termo é traduzido como treino ou prática, mas seu significado em japonês abrange mais que isso. É o estágio em que os movimentos são aperfeiçoados por repetição lenta, dividindo-se o kata em suas partes componentes e pela contextualização da técnica em situações e confronto real. Com o tempo, o praticante começa a entender os princípios de Metsuke (correto uso dos olhos), Seme (pressão sobre o adversário) com o objetivo de controlar o adversário. Durante o keiko também são apreendidos os conceitos de maai (distância de combate) e ma (tempo - timing).

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Estilos de aikido



Proliferação de organizações independentes

A maior organização de aikido actualmente existente é a Fundação Aikikai que permanece sob o controle da família Ueshiba. Apesar de tudo, a divulgação desta arte marcial pelo mundo, teve como consequência o aparecimento de vários estilos, os quais foram maioritariamente desenvolvidos pelos principais estudantes de Morihei Ueshiba.

Os primeiros estilos independentes que tiveram significante repercussão foram o Yoseikan Aikido, iniciado por Minoru Mochizuki, em 1931; o Aikido Yoshinkan fundado por Gōzō Shioda em 1955;21 e o Aikido Shodokan, desenvolvido por Kenji Tomiki em 1967.O aparecimento destes estilos ocorreram durante a vida de Ueshiba, algo que não ocasionou em grandes conflitos quando foram formalizados enquanto disciplinas pertencentes ao aikido. Contudo, o Aikido Shodokan, originou em algumas controvérsias uma vez que introduziu uma regra única de competição que alguns aikidokas encararam com algo contrário ao espírito do aikido.

Após a morte de Ueshiba, em 1969, mais dois estilo de aikido emergiram. A principal controvérsia até aqui originada ocorreu após a saída do mestre Koichi Tohei do Aikikai Hombu Dōjō, em 1974. Tohei abandonou o dojo após um desentendimento com o filho do fundador, Kisshomaru Ueshiba, que na época administrava a Fundação Aikikai. A desavença ocorreu sobre o caminho apropriado para o desenvolvimento do ki nos treinos regulares de aikido. Depois de Tohei deixar a instituição, este fundou o seu próprio estilo, designado de Shin Shin Toitsu Aikido, o qual é governado pela organização Ki Society (Ki no Kenkyukai). O último grande estilo evoluiu da aposentadoria de Ueshiba em Iwama, Ibaraki, cujo a metodologia de ensino a longo prazo foi da autoria de Morishiro Saito. Este estilo é oficialmente conhecido por "estilo Iwama", e até certo ponto, um reduzido número de seguidores formaram uma pequena rede de escolas as quais denominaram Iwama Ryu. Apesar dos praticantes do estilo Iwama conservarem o aikido após a morte de Saito em 2002, os seguidores do mestre dividiram-se em dois grupos. Um deles permaneceu com a Fundação Aikikai enquanto que o outro formou uma associação independente, a Shinshin Aikishuren Kai em 2004 baseada nos conhecimentos do filho de Morihiro, Hitohiro Saito.

Hoje em dia, os principais estilos de aikido luta individualmente por uma organização independente do governo, e possuem uma sede própria no Japão designada de Aikikai Hombu Dōjō, a qual direcciona e coordena as regras do estilo Aikikai, servindo como base para as várias associações nacionais espalhadas pelo mundo.



Estilos de aikido

Conforme sucedeu com outras artes marciais japonesas, depois que o Fundador faleceu (sendo a figura unificadora), fatores internos levaram à fragmentação da modalidade e, assim, hoje a arte possui algumas ramificações, a maioria criados por antigos alunos de O-Sensei. Por outro lado, alguns apontam que o aikidô não possui estilos verdadeiros, eis que o próprio Fundador admitia que os instrutores ensinassem conforme seu entendimento.

Aikikai
O aikikai está relacionado à Fundação Aikikai no Japão encabeçada pelo Dōshu Moriteru Ueshiba, neto do fundador. Em caráter global, o estilo é representado pela Federação Internacional de Aikido (IAF). Diferentemente de outras escolas, no Aikikai cada mestre busca sua própria interpretação do aiquidô. Isso reflete em uma grande diversidade técnica dentro da organização, do "estilo". De qualquer maneira, a técnica é sempre fluída e não há competições de nenhuma forma.

Iwama Ryu
O estilo Iwama, também conhecido por Iwama-ryu ou Iwama Juku, trata-se de um nome informal para o estilo de aiquido ensinado por Morihei Ueshiba no dojo de Iwama. É comumente utilizado para descrever o estilo praticado por Morihiro Saito, um dos discípulos que estudou por mais tempo diretamente com O-Sensei (de 1946 até 1969). O estilo de Iwama inclui um estudo combinado do aiki-jo (bastão), do aiki-ken (espada) e do tai-jutsu (técnicas de mãos livres). Podemos encontrar praticantes do Iwama-ryu dentro e fora da fundação Aikikai. A maior organização independente do estilo é a Iwama Shin Shin Aiki Shurenkai, encabeçada por Hitohiro Saito, filho de Morihiro Saito.

Shin Shin Toitsu Aikido
Também conhecido por Ki-Aikido, o Shin Shin Aikido Toitsu foi desenvolvido por Koichi Tohei com base em estudos realizados com o mestre Tempu Nakamura (fundador do Shin Shin Toitsu Do, ou "caminho da unificação mente-corpo"). Este sistema peculiar é caracterizado por técnicas muito subtis e fluídas, com ênfase no desenvolvimento da energia (ki).

Aikido Shodokan
O estilo Shodokan, também conhecido por Tomiki Aikido, foi fundado pelo mestre Kenji Tomiki. É o único estilo que permite a competição, sendo uma mistura da forma original com o método de ensino do judo moderno. Incorpora várias formas de desequilíbrio, esquiva, golpes, torções, arremessos, rolamentos e giros no seu repertório técnico. Ele ensina desde técnicas tradicionais até técnicas desenvolvidas para o meio competitivo. O Shodokan engloba kata, treino livre, competição e defesa pessoal. A participação em competições não é obrigatória.

Yoshinkan
Fundado por Gozo Shioda, o Aikido Yoshinkan possui ênfase na eficiência em combate devido à qual é frequentemente visto como um estilo duro em alternativa aos estilos concentrados na fluidez, estética e espiritualidade. É ensinado à polícia municipal de Tóquio.

Shin'ei Taido
O Shin'ei Taido ou Noriaki Inoue, foi criado pelo sobrinho do fundador do aikido, o sensei Noriaki (Yoichiro) Inoue (1902-1994).

Korindo
O Aikido Korindo foi criado por Minoru Hirai, antigo discípulo do Fundador no Aikikai Hombu Dojo em Tóquio. Este mestre foi também o responsável pela criação do nome da arte marcial, quando em 1942 foi delegado da instituição perante o Butoku-kai.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Técnicas e Torneios de Naguinata do


Nas competições de Naguinata há dois tipos de provas, dentre elas a competição propriamente dita, onde a luta é em forma de defesa e ataque.
O Shiai é a modalidade de luta do Naguinata, onde duas pessoas competem mutuamente usando a proteção - Bogu, nas partes da :


  • Cabeça : MEN
  • Peitoral : DO
  • Mão e Punho : KOTE
  • parte inferior da perna - tíbia : SUNÊ
  • O combate consiste em desferir golpes apenas nos pontos do corpo onde são usados as proteções.



    No domíneo do combate o Naguinata moderno é ainda muito jovem - 1955. Teve um arrancada muito lenta, mas vem evoluindo de forma espetacular.

    Até 1983, nos campeonatos do Japão, os Shiai eram mais livres e muitos grupos eram dirigidos por senseis do Kendo.
    Os golpes eram muitos fortes, usando técnicas de Kendo e o Naguinata não era explorado ao máximo de suas possibilidades.

    A partir de 1983 o Naguinata passou a ser um esporte universitário e de lá pra cá o Naguinata reencontrou sua especialidade, assim como uma nova eficácia.
    O praticante de Naguinata utiliza uma vestimenta composta de: 


  • Keiko-Gi ou Dogui
    É uma espécie de kimono, de cor branca, cruzado e amarrado na frente por 2 laços.


  • Obi
    É um faixa de cor branco com 10cm de largura por 2,60m de comprimento. Utilizado como um "cinto".


  • Hakama
    É semelhante a uma pantalona de algodão ou sintético de cor preta ou azul marinho.
  • Existem regras definidas sobre a maneira de vestir-se e equipar-se.
    Vestir corretamente a vestimenta cria uma atitude mental correta.

    Além dos itens citado acima, o Bogu é uma parte importante da vestimenta do praticante de Naguinata, é a proteção do praticante.
    Semelhante a uma armadura, ela é utilizada principalmente durante o SHIAI para proteger contra os golpes.
    O Bogu é composto de protetores para a cabeça (men), peitoral (do), mãos e punho(kotê) e para a tíbia ou canela (sunê).
    Diferente do Kendo, que não possui a proteção da tíbia - Sunê e a proteção do ante-braço - Kotê que possui 3 divisões para o melhor manejo da arma.

    Aspecto filosófico


    A Federação Japonesa de Naguinata tem atuado com o seguinte conceito e princípio:
    • Promover a harmonia entre a mente e o corpo através do treinamento.
    De acordo com a Federação Japonesa de Naguinata, através da orientação correta da Atarashi Naguinata procura-se o aperfeiçoamento da técnica, cultivar o espírito, aumentar a vitalidade e também :
    • Treinar corretamente dentro dos princípios do Naguinata
    • Respeitar a disciplina
    • Respeitar a etiqueta e cooperar com os outros
    • Aprender e preservar a cultura tradicional japonesa
    • Cultivar a mente
    • Desenvolver o espírito e o corpo
    • Promover a paz e prosperidade entre as pessoas

    Graduações
    Mudansha (sem dan):
    • 6º Kyu = Rokkyu
    • 5º Kyu = Gokyu
    • 4º Kyu = Yonkyu
    • 3º Kyu = Sankyu
    • 2º Kyu = Nikyu
    • 1º Kyu = Ikkyu
    Yudansha (com dan):
    • 1º Dan = Shodan
    • 2º Dan = Nidan
    • 3º Dan = Sandan
    • 4º Dan = Yondan
    • 5º Dan = Godan
    Shogo - títulos de instrução, obtidos após o 5º dan:
    Requisitos para exame:
    • 1º Kyu - nenhum
    • 1º Dan - deve possuir 1º Kyu
    • 2º Dan - permanência na graduação anterior por 1 ano
    • 3º Dan - permanência na graduação anterior por 2 anos
    • 4º Dan - permanência na graduação anterior por 3 anos
    • 5º Dan - permanência na graduação anterior por 3 anos







    Cincos katas básicos do Naguinata do:


    sexta-feira, 2 de novembro de 2012

    KYUDOO


    Kyūdō (em japonês: 弓道; lit. o caminho do arco), é a arte marcial japonesa do tiro com arco. Apesar da sua actual forma ter evoluído, ao longo das últimas décadas, para uma unificação, trata-se da mais antiga arte marcial japonesa, com as primeiras referências históricas a datarem do século VII da nossa era.


    Propósitos do kyūdō
    Na sua forma actual, o kyūdō é práticado como uma forma de desenvolvimento da pessoa em sentido integral, através do corpo nas suas componentes física e mental. No Japão muitos arqueiros praticam o kyudo com uma vertente de desporto. Segundo o Manual de Kyudo da Federação Japonesa de Kyudo (ANKF), a verdade do kyudo está na unidade de três princípios, (1) a estabilidade do corpo, (2) a estabilidade da mente e (3) a estabilidade do arco. Dedicar-se e concentrar-se completamente no tiro é, então, um objetivo que está para além do mero acertar o alvo.

    História resumida do Kyudô
    O arco foi uma arma de guerra sobretudo entre os séculos XII e XVI. Para além disso, o tiro foi também, e desde os século VI, utilizado em cerimónias de corte. Como arma foi perdendo importância após a introdução das armas de fogo pelos portugueses no século XVI. As escolas de tiro com arco, então existentes, evoluem para formas de tiro onde a ênfase é colocada tanto nos aspectos técnicos e físicos quanto nos aspectos mentais e formais do tiro.
    A palavra kyudo começa a utilizar-se ao longo do século XVII, a par da designação corrente que ainda hoje subsiste de kyujutsu; é a partir do início do século XX que a designação de kyudo se generaliza.
    A partir de 1930 surgiram os primeiros esforços para unificar a prática do kyudo, uma vez que existência de várias escolas, cada uma com várias técnicas e formas de tiro, dificultava a prática conjunta. É em 1934 que surge o primeiro manual de kyudo que propõe um conjunto de princípios comuns.
    No entanto é só após a segunda guerra mundial, e com a formação da Federação Japonesa de Kyudo, que o objectivo de unificar e normalizar os procedimentos do tiro oriundos das diversas escolas é atingido e aceite no Japão, permitindo o desenvolvimento do kyudo no mundo e estabelecer uma prática comum onde diferentes formas e estilos possam coexistir e atirar em conjunto. Como consequência é publicado em 1953 o Manual de Kyudo (com 4 volumes actualmente), que será revisto e ampliado em 1971 e do qual existe, para o volume 1, uma tradução oficial em inglês e uma adaptação em francês. Este manual é uma fonte e uma referência para todos os praticantes de kyudo qualquer que seja o seu nível. A Associação Portuguesa de Kyudo (APK) possui uma tradução (não editada) do volume 1.
    A síntese e unificação das diversas formas de tiro pela ANKF fez-se em paralelo com as escolas tradicionais. As tradições de tiro antigas são ainda mantidas e transmitidas em paralelo com o desenvolvimento do kyudo pela ANKF. Cada escola pratica o kyudo através da coexistência das suas formas com as da ANKF.
    Alguns núcleos e escolas no Japão mantêm-se à margem da ANKF, evitando por exemplo o uso das graduações em Dan, e mantendo estritamente as suas formas tradicionais de tiro.
    O arco japonês tem um significado cultural amplo no Japão. A sua utilização não se limita ao kyudo, sendo utilizado no tiro a cavalo (yabusame) e em cerimónias religiosas (shintoísmo sobretudo), nas actividades diárias de alguns mosteiros zen em cerimónias diversas como baptizados e aberturas de torneios de sumô.


    Treino e prática
    A prática do kyudo para um principiante inicia-se com os primeiros treinos em que os movimentos básicos do tiro (hassetsu) são apreendidos de mãos vazias, sem arco. Após 2-3 treinos o praticante inicia os movimentos com uma fisga ou elástico. Depois os mesmos movimentos são repetidos já com o arco, mas sem flechas. De seguida o praticante será levado para o primeiro tiro em frente de um alvo de palha (makiwara) situado a curta distância (+/- 2 metros) onde disparará as suas primeiras flechas já com a luva na mão direita. Depois durante dois ou três treinos passará a disparar ao alvo, primeiro a curta distância (5-6 metros), depois a meia distância (14 metros) depois a 20 metros e finalmente à distância normal do alvo, que é de 28 metros. Entre o início da aprendizagem e o primeiro tiro ao alvo a 28 metros poderão passar entre 1 a 3 meses, dependendo do número de treinos por semana e do praticante.
    A par desta aprendizagem da técnica do tiro, o praticante inicia-se também desde o início nos movimentos formais, uma vez que os movimentos e deslocações na zona do tiro são feitos segundo um conjunto de princípios estabelecidos: a entrada na zona de tiro, a saudação, a aproximação à linha de tiro, o ajoelhar para preparação das flechas o levantar para o tiro, a sequência do tiro e a saída. A postura e a forma do corpo ao longo de todas as fases e movimentos é um aspecto essencial na prática do tiro.
    Uma sessão de treinos depende do contexto em que se realiza, do tempo disponível e do número de praticantes envolvidos; sendo derivado não só, mas também, de antigas práticas guerreiras, a imprevisibilidade e capacidade de adaptação são parte essencial do kyudo. Tipicamente inicia-se um treino com alguns movimentos breves de aquecimento e exercícios respiratórios. Depois segue-se o tiro contra o alvo de palha (makiwara) a curta distância, podendo ainda ser antecedido pela prática dos movimentos do hassetsu sem arco. No tiro ao makiwara, o atirador concentra-se sobretudo na postura e na técnica sem a preocupação com o alvo. O treino de makiwara é fundamental para a evolução de qualquer atirador, qualquer que seja o seu nível e não apenas para os iniciados; no Japão muitas cerimónias públicas envolvendo ou não artes marciais são inauguradas com um tiro de cerimónia ao makiwara executado pelo mestre de mais alta graduação presente. Após o tiro ao makiwara os praticantes passam então a atirar contra ao alvo à distância de 28 metros. O tamanho do alvo é normalmente 36 cm de diâmetro (ou 12 sun, uma unidade de medida tradicional do Japão que equivale a cerca de 3,03 cm), e ficam a uma distância de 28 metros do kyudoka. Esta distância do alvo e a sua posição baixa, a 15 cm do chão, é aquela que permite que o atirador permaneça numa postura vertical correcta com o corpo firme e em extensão em todas as direcções (baixo-cima, direita-esquerda e frente-trás).

    Técnica
    O tiro efectua-se sempre com o arco na mão esquerda - yunde, a mão do arco - e a mão direita com luva segura a corda. Pode-se treinar individualmente, mas as diferentes formas de tiro são sempre de tiros em grupo em que os atiradores atiram segundo uma seqüência em tempos determinados e com movimentos coordenados entre si. Também por isso os atiradores estão todos virados para o mesmo lado.
    O abrir do arco deve ser efectuado através de um movimento simultãneo dos braços direito e esquerdo que se inicia com ambas as mãos acima da altura da cabeça. Na extensão máxima a corda e a mão direita ficam bem atrás da cabeça. Apesar dos receios que a corda possa bater na cara, é muito raro isso acontecer.
    Imediatamente após o tiro, o yumi irá (para um kyudoka com prática) rodar na mão, fazendo com que a corda do arco pare na frente do antebraço externo. Este movimento, o yugaeri é uma combinação de técnica e da movimentação natural do arco. É único no kyudo.

    Os movimentos executados durante o tiro seguem a seguinte seqüência, designada hassetsu, conforme prescrito pela Federação Japonesa de Kyudo - All Nippon Kyudo Federation (ANKF) no Kyudo Kyohon (Manual de Kyudo):


    01- Ashibumi - Abertura dos pés;
    02- Dozukuri - Postura do corpo;
    03- Yugamae - Preparação do arco (para o tiro);
    04- Uchiokoshi - Elevar o arco;
    05- Hikiwake - Abertura do arco;
    06- Kai - Encontro (a posição de extensão máxima);
    07- Hanare - Disparar da flecha;
    08 - Zanshin - Permanência da forma

    Graduações
    O sistema de graduações baseia-se na atribuição de graus que vão de 1º dan a 10º dan. Abaixo de 1º dan poderão ser atribuídos os graus de kyu que vão de 5º a 1º. No kyudo não é utilizado o sistema de cintos coloridos para distinguir os graduados. As graduações em todo o mundo são apenas atribuídas pela ANKF através da realização de estágios que podem ocorrer no Japão; na Europa e nos EUA ocorre um estágio anual com mestres japoneses da ANKF com exames de atribuição de grau.

    Escolas principais
    All Nippon Kyudo Federation (ANKF)
    A Federação Japonesa de Kyudo é, desde 1953, o órgão de cúpula do kyudo no Japão.

    Escolas tradicionais
    Várias escolas tradicinais continuam a existir, mas desde a formação da ANKF algumas têm desaparecido. A ANKF tem vindo a unificar a prática do kyudo num conjunto de princípios comuns, embora admitindo ainda algumas diferenças originárias das escolas principais.
    Algumas escolas tradicionais
    Ogasawara Ryu - origem no século XII
    Heki Ryu Chikurin-ha - com origem no século XV, ramo da escola Heki
    Heki Ryu Insai-ha - com origem no século XV, ramo da escola Heki
    Honda Ryu - origem no século XIX.


    Kyūdō no Brasil
    Em 2007 foi criada a Associação Brasileira de Kyudô (ブラジル弓道会), com sede no Rio de Janeiro. Filiada à IKYF, e sob orientação direta da Federação Americana de Kyudô, é desta maneira a entidade representativa oficial do Kyudô no Brasil. Existem grupos filiados e que recebem orientação da ABK no Rio de Janeiro, Brasília e Fortaleza.




    Fonte: Herrigel, Eugen - A arte cavalheiresca do arqueiro zen. 22ª ed. São Paulo, Brazil. Editora Pensamento-Cultrix, 2007.