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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Goka no Sadame 五箇之定

 O conceito de 五箇之定 (Goka no Sadame) — literalmente "Os Cinco Princípios Determinados" — é um dos pilares filosófico-estratégicos da escola Kashima Shintō-ryū de Kenjutsu.

Ele representa cinco determinações essenciais para o combate e para a formação do praticante como guerreiro. Essas cinco diretrizes não são apenas técnicas, mas princípios de conduta e percepção que organizam a postura, o espírito e a mente no campo de batalha — e na vida.


🔹 Tradução literal:

  • 五 (Go) – Cinco

  • 箇 (Ka) – Contador formal (de princípios, itens importantes)

  • 之 (no) – Partícula de posse

  • 定 (Sadame) – Determinação, princípio, fundamento fixado


As Cinco Determinações — Goka no Sadame:

  1. Katsujin-ken (活人剣) – A Espada que dá vida

    O princípio de não matar desnecessariamente. O verdadeiro domínio da espada visa proteger a vida, não destruí-la.
    É o ideal da espada como instrumento de paz e autocontrole, não de destruição.

    Significado:

    A espada que, mesmo em situação de conflito, preserva a vida, age com compaixão e age no limite da necessidade.

    Profundidade:

    • Representa o ideal máximo da via marcial (Budō).

    • Lutar não por agressão ou vaidade, mas por justiça, proteção e equilíbrio.

    • Envolve o domínio técnico e espiritual necessário para neutralizar o adversário sem destruí-lo.

    • É um ideal próximo do "Ken Zen Ichi Nyo" (Espada e Zen em Unidade): agir sem ego.

    Exemplo prático:

    Desviar ou desarmar sem causar ferimento, ou conduzir a luta de forma que a morte se torne desnecessária.



  2. Setsunintō (殺人刀) – A Espada que tira a vida

    Reconhece que, se necessário, a espada deve ser usada com decisão letal. Esse princípio não glorifica a morte, mas afirma que, quando não há outra escolha, é preciso agir com precisão e sem hesitação.

    Significado:

    Quando inevitável, a espada deve cumprir sua função com precisão mortal. Essa decisão requer clareza moral e técnica perfeita.

    Profundidade:

    • Não é apologia da violência, mas o reconhecimento de que o guerreiro verdadeiro não hesita diante do inevitável.

    • É o limite entre o uso da força e o não agir.

    • A diferença entre o assassino e o guerreiro está na intenção, no momento e no controle.

    Reflexão:

    “Se você hesitar, será morto. Se agir com raiva, será corrompido. Se agir com lucidez, permanece puro mesmo diante da morte.”



  3. Ken-tai-ichi (剣体一) – Espada e corpo como um só

    Unidade entre mente, corpo e espada. Não há separação entre a técnica e o corpo do praticante — é o princípio da integração absoluta. A espada é uma extensão do ser.

    Significado:

    A união absoluta entre o corpo (tai) e a espada (ken), sem separação entre pensamento e ação.

    Profundidade:

    • A espada não é uma ferramenta externa, mas um prolongamento da intenção.

    • O praticante deve eliminar atritos mentais e interferências corporais para se tornar “um” com o momento e com a ação.

    • Relaciona-se ao conceito de "mushin" (mente vazia) — a ação sem obstrução.

    Aplicação:

    A técnica não deve parecer forçada. O corte surge como reflexo natural da unidade corpo-espada-intenção.


     

  4. Tai no Henka (体の変化) Transformação do corpo

    mais fiel às transmissões clássicas da Kashima Shintō-ryū e aparece em textos internos da escola. Ela traz "Tai no Henka" como o 4º princípio, enfatizando a transformação do corpo como estágio necessário antes da estabilização do coração.



    Fudōshin (不動心)
    – Coração imperturbável

    Estado mental de equilíbrio e serenidade, mesmo em situações de perigo ou caos. A mente que não vacila permite ações corretas e leitura clara do oponente.

    Significado:

    Estado mental de imperturbabilidade, em que o praticante não é afetado por medo, raiva, dúvida ou vaidade.

    Profundidade:

    • É o coração que não se agita com vitórias ou derrotas.

    • A serenidade permite percepção clara do movimento do oponente e ação precisa.

    • Está profundamente conectado ao Zen e à ideia de estabilidade do ser.

    Imagem simbólica:

    Um lago calmo reflete claramente o céu — assim é a mente de quem possui Fudōshin.


     

  5. Kokoro no kamae (心の構え) – A postura do coração

    Vai além da postura física. É a atitude interior, a disposição do espírito. Mostra que a verdadeira "guarda" é mental — a forma como enfrentamos o outro com compaixão, coragem e vigilância.

    Significado:

    A verdadeira “guarda” não é a física (espada alta ou baixa), mas a disposição interior de atenção, compaixão e firmeza.

    Profundidade:

    • A postura mais importante é a do coração preparado.

    • Inclui o estado de prontidão moral, a não arrogância e o respeito pelo oponente.

    • Um guerreiro pode estar tecnicamente pronto, mas se seu kokoro (coração/espírito) estiver desequilibrado, será derrotado.

    Interligação:

    Este princípio sustenta todos os outros quatro. Sem Kokoro no Kamae, não há Katsujinken, nem Fudōshin, nem Kenshi verdadeiro.


    Interpretação filosófica:

    O Goka no Sadame é mais do que uma lista de técnicas — é um mapa ético e mental para o guerreiro. Ensina:

    • Quando lutar e quando poupar,

    • Como se manter firme sem se tornar cruel,

    • E como desenvolver autodomínio espiritual através da espada.


    Em resumo

Princípio                 Significado                               Central Propósito Filosófico

Katsujinken                     A espada que salva vidas                                          Compaixão e proteção                                  

Satsujintō                           A espada que mata                                              Determinação clara diante da necessidade

Ken-tai-ichi                     Corpo e espada em unidade                                   Eliminação da separação entre mente e ação

Fudōshin                            Mente inabalável                                                  Serenidade em qualquer circunstância

Kokoro no Kamae             Postura interior, espírito em prontidão                  Atitude ética e vigilância moral                


 

Influência do Shintō e do Zen

A escola Kashima Shintō-ryū tem raízes tanto:

No Shintō (espiritualidade nativa japonesa) — com reverência à harmonia com os deuses (kami), à purificação e à ordem natural; quanto no Zen, com ênfase em mushin (mente vazia), fudōshin (espírito imóvel) e heijōshin (coração tranquilo).

O Goka no Sadame pode, portanto, ser lido como uma mandala marcial: cada princípio é uma pétala que leva ao centro — o despertar espiritual por meio do caminho da espada.




Conexão Espiritual

O Goka no Sadame também pode ser visto como um processo de purificação interior:

  • Ele orienta a superação do ego, do medo e da impulsividade.

  • Leva o praticante ao centro do Caminho marcial (Dō), onde ação e não-ação, vida e morte, espada e compaixão se harmonizam.


    A Conexão Espiritual do Goka no Sadame

    O Goka no Sadame não é apenas um conjunto técnico ou ético — ele forma um caminho de cultivo espiritual (shugyō 修行) que visa a transformação interior do praticante.

    Cada um dos cinco princípios é um degrau para a transcendência do ego e a integração com o fluxo da natureza, da vida e da morte. Vejamos:


    🔹 1. 活人剣 (Katsujinken) — A Espada que dá Vida

    • Espiritualmente, representa o despertar da compaixão universal (慈悲 – jihi).

    • O guerreiro deixa de agir por instinto ou interesse próprio, e passa a agir conforme os princípios do Céu e da Terra.

    • A espada torna-se um instrumento do Dharma (lei cósmica), e não da destruição.

    👉 É aqui que o guerreiro começa a perceber que o outro não é “inimigo”, mas um espelho de si mesmo.


    🔹 2. 殺人刀 (Satsujintō) — A Espada que tira a Vida

    • Espiritualmente, esse princípio confronta o praticante com a realidade da impermanência (無常 – mujō).

    • Ensina que a vida e a morte não são opostos, mas polaridades naturais.

    • O ato de cortar pode ser também o ato de libertar — inclusive a si mesmo, da ignorância ou da passividade.

    👉 Aqui, o guerreiro compreende que às vezes “matar” simboliza cortar a ilusão, o ego, o medo. É uma espada que transforma, não apenas destrói.


    🔹 3. 剣体一 (Ken-tai-ichi) — Espada e Corpo como Um Só

    • A unidade entre corpo e espada espelha a busca pela unidade entre o ser individual e o fluxo do Universo (道 – Dō).

    • O corpo deixa de ser apenas veículo de ação: torna-se canal da intenção pura, livre de dualidades.

    • Essa integração é também um estado meditativo, de presença total no agora.

    👉 É quando a espada se torna extensão do ki, e o gesto do corte é como o traço de um pincel caligráfico — expressão direta do espírito.


    🔹 4. 不動心 (Fudōshin) — Coração Inabalável

    • Representa o estado de equanimidade plena, como o coração de um Bodhisattva ou de um monge Zen em zazen.

    • O guerreiro torna-se centro imóvel em meio ao caos, imune às flutuações da mente reativa.

    • A espada que parte de Fudōshin não nasce da raiva, nem do medo, mas da clareza.

    👉 Aqui, a espada é como o trovão que segue o relâmpago da iluminação. Age no momento certo, sem hesitação nem arrependimento.

    Tai no Henka (体の変化) é frequentemente compreendido como a adaptabilidade física nas técnicas, mas no contexto espiritual do Goka no Sadame,

    Tai no Henka não é apenas uma adaptação física — é a via da elevação do praticante, a jornada que começa na carne e culmina no espírito.


    🔹 5. 心の構え (Kokoro no Kamae) — Postura do Coração

    • A guarda do espírito é a mais profunda de todas: é a atitude silenciosa, firme, humilde e vigilante.

    • Representa a disposição de se colocar constantemente sob o olhar da Verdade.

    • Essa postura espiritual é a base de todas as outras, pois sem ela não há clareza de intenção nem legitimidade na ação.

    👉 É quando o guerreiro percebe que sua maior batalha não é contra o inimigo externo, mas contra a própria vaidade, pressa, orgulho e ilusão.


A Jornada Espiritual por Trás dos Cinco Princípios:

EstágioPrincípioTransformação Espiritual
Início do Caminho                                         Katsujinken                              Despertar da compaixão e da consciência do outro
Enfrentamento do Abismo                              SatsujintōAceitação da morte e da impermanência
Integração Corpo-Espírito                            Ken-tai-ichi                              Unidade entre ação, intenção e ser                        
Transcendência do Ego                                    FudōshinPaz inabalável em meio ao conflito
Presença Espiritual                                    Kokoro no Kamae                        Vigilância constante e coração sem mácula         

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

O sistema de artes marciais da escola Kashima Shin-ryū.


"Visão geral do estilo", a conclusão do Kashima Shinryu remonta ao Ichinotachi criado por Matsumoto Bizen-no-kami Ki Masamoto. Isso pode ser considerado a essência da esgrima, cristalizada sobre o equilíbrio uniforme de cada verdade (unidade de movimento e repouso, unidade de início e desenvolvimento, unidade de ataque e defesa, unidade de verdade e falsidade, unidade de yin e yang) do princípio básico conhecido como "Goka no Sadame". Além disso, a essência das artes marciais de Kashima Shinryu, que também introduziu o equilíbrio metafísico, pode ser vista no "Muso Ken" criado por Kunii Daizen Minamoto Kuryama, o 12º mestre da escola. Enquanto Ichinotachi é uma técnica que refina o Goka no Sadame à luz da "razão de Shinto", Muso Ken é uma técnica que refina o Goka no Sadame à luz do "assunto de Ki-atari". É o Kashima Shinryu que contém tais técnicas, que foram criadas sob inspiração e engenhosidade em busca do espírito de Shinbu, como parte do sistema de artes marciais, sem que se destaquem excessivamente.





Além disso, deve-se notar que, juntamente com os Cinco Artigos de Determinação como um princípio filosófico fundamental, o "quadrado, círculo, curva, reto e agudo" como um princípio físico fundamental também é um elemento importante do Kashima Shinryu. Pode-se dizer que é a lei básica para manipular todas as técnicas como movimento espiral. Na doutrina do Kashima Shinryu, que deve convergir para o "princípio da origem do universo" em última análise, as artes marciais também são vistas como um fenômeno natural sem começo nem fim que repete manifestação, redução e promoção. Tomando como exemplo a postura do Kashima Shinryu, é a forma de origem da técnica e, ao mesmo tempo, a forma final da técnica, sendo um estado estático que internaliza o movimento.








O atual Kashima Shinryu é uma ressublimação do "abraço e assimilação da espada de Takemikazuchi", que é o cerne do espírito do Deus Marcial japonês, no qual Yoshimi Kunii, o 18º Soke, revisou cada uma das técnicas transmitidas de geração em geração sob os Cinco Artigos do Código Legal, enquanto acumulava treinamento em artes marciais até os limites de sua capacidade. Este conteúdo de artes marciais foi preservado e herdado por Fumitake Seki, o 19º Soke, e então ensinado à próxima geração em uma forma adequada para a educação moderna. Uma característica do Kashima Shinryu Bujutsu é que é uma arte marcial abrangente. Todas as suas técnicas têm uma natureza de anverso e reverso, com o anverso sendo classificado em esgrima, espada de bolso, arte de desembainhar, arte do cajado, arte da alabarda, arte da lança, etc., e o reverso sendo classificado em jiu-jitsu, arte do bastão, etc. Mesmo ao usar o anverso, pode-se mudar para o reverso dependendo das mudanças na situação com o oponente. Como todas essas técnicas são incorporadas com os mesmos princípios básicos, uma vez que a proficiência em técnicas básicas é alcançada em esgrima e jiu-jitsu, torna-se possível manipular livremente uma ampla gama de técnicas, incluindo armas longas e como lidar com elas.


No treinamento de Kashima Shinryu, o kumijo para adquirir as técnicas de esgrima consiste em "Kihon Tachi", "Ura Tachi", "Aishin Kumi Tachi", "Jissen Tachi Kumi", "Kassen Tachi", "Tsubazeriai/Taobushi" e "Battōjutsu".


Kihon Tachi  基本太刀

Este é o kumitachi que se chamava "Hōjō no Kata" quando a linhagem da família Kashima Shinryu Soke reivindicava ser Jikishinkage-ryū. Houve uma época em que este kumitachi herdou as quatro técnicas que foram reorganizadas por Genshinsai Ogasawara, o quarto Soke, mas depois que Daizen Kunii, o décimo segundo Soke, reviveu o Kashima Shinryu com base no Tengu-sho, ele retornou ao original kumitachi de cinco técnicas e as usa para treinamento.

Kihon Tachi é um excelente kumijo projetado para dominar o "segredo da unidade da espada, da mente e do corpo", mas pode ser ensinado logo após a admissão. Ao praticar, uma espada de madeira é sempre usada como arma e o Kihon Tachi é sempre praticado, porque a base dos principais elementos técnicos para usar as técnicas de Kashima Shinryu está toda contida ali. Por isso, é rico em charme, pois mesmo após 10 ou 20 anos de treinamento, ainda permite a busca pelos mistérios ocultos ali.


Ura Tachi  裏太刀

Este é um treinamento em que as técnicas são usadas enquanto se aproximam e medem a distância um do outro. Ao aprender o kumijo de Ura Tachi, pode-se entender que Kashima Shinryu não é uma arte marcial para receber, mas sim para atacar primeiro. Isso é completamente diferente de uma estratégia de lidar com um ataque após recebê-lo.


Aishin Kumi Tachi 相心組太刀

O shitachi e o uchitachi usam técnicas em movimentos espirais enquanto lutam com as mesmas estratégias, e aprendem a pegar a vitória enquanto carregam o fluxo de ki que cada um emite nas técnicas da espada. Esta é uma kumitachi de alta patente que a família Kunii compilou e refinou em uma kumitachi, e transmitiu por centenas de anos, como a principal técnica que os samurais seniores praticavam como esgrima antes de Kashima Shinryu reivindicar um estilo ou nome.


Jissen Tachi Kumi 実戦太刀組

Este é um kumijo que consiste em 10 técnicas e é um treinamento de confronto em uma distância em que você pode cortar o oponente se der um passo à frente. O uchitachi usa uma técnica após o fato, percebendo o ki no momento em que o shitachi inicia a técnica. Em resposta a isso, o shitachi domina uma técnica reversa, tornando-se um kumijo como uma batalha real. Quando Kashima Shinryu espalhou as artes marciais para o Domínio Mito Tokugawa sob o nome de Shinkage-ryū, apenas este kumijo era usado para treinamento de kata.


Kassen Tachi 合戦太刀

Este é um kumijo compilado para adquirir técnicas adequadas para batalhas no campo de batalha. Pessoas vestidas com armaduras usam técnicas fechando a distância de uma distância suficiente. Você pode aprender como derrubar um oponente no campo de batalha atacando os pontos fracos de um oponente blindado e a diversidade de técnicas que foram concebidas aplicando racionalmente a mecânica.


Tsubazeriai/Taobushi  鍔競・倒打

Este é um kumijo onde você aprende como derrubar um oponente transferindo a luta de espadas para um tsubazeriai e derrubando o oponente, uma técnica usada por mestres que têm dificuldade em decidir uma partida em um kumitachi. Esta é uma técnica de usar jiu-jitsu enquanto segura uma espada.


Battōjutsu 抜刀術

Este é um kumijo para usar a esgrima com a espada embainhada como postura. Aprenda a sacar a espada enquanto se esquiva do ataque do uchitachi e controlar o ataque do uchitachi em um único movimento. Na fase inicial, o treinamento individual é realizado com um oponente em mente, mas o treinamento básico é usar técnicas combinando o fluxo de ki enquanto recebe o ataque do oponente.

Em Kashima Shinryu, diz-se que, uma vez que as técnicas de esgrima, que são estas técnicas de anverso, podem ser usadas em um nível equivalente a uma licença, as técnicas de jiu-jitsu e arte do bastão, que são técnicas de reverso, podem ser usadas livremente apenas acumulando um único dia de treinamento. Isso ocorre porque o trabalho de corpo da esgrima é a base de todo o trabalho de corpo de todas as 18 artes marciais de Kashima Shinryu. Ou seja, em Kashima Shinryu, até mesmo o trabalho de corpo do jiu-jitsu é basicamente o mesmo da esgrima.



No entanto, ao aplicar técnicas secretas, fatores mecânicos como diferenças de força física têm um grande impacto no resultado, por isso, a forma de emitir ki que aumenta a eficiência mecânica nas artes marciais e o movimento em espiral que domina as técnicas de arremesso em um único movimento são particularmente importantes. Para tornar este treinamento possível passo a passo, o Kumiwaza do Jujutsu é composto por "Reiki Nage", "I-dori", "Tachiwaza", "Nage Waza", "Gusoku Dori", etc.

Respiração de Ki (Reiki To) 霊気投

Embora não esteja explicitamente declarado como um sistema de técnicas, inclui os movimentos básicos do Kashima Shin-ryu que são comuns a todas as técnicas. É um treinamento básico para aprender a usar técnicas de jujutsu dinamicamente eficientes, unindo o fluxo de ki com o movimento do corpo. A origem desta técnica está descrita no Kojiki, na mitologia de "A Pacificação de Ashihara no Nakatsukuni 5 A Submissão de Takeminakata". É o trabalho de Takemikazuchi-no-o-no-kami de Kashima Daijingu, que jogou Takeminakata-no-kami de Suwa Daijingu para longe e o fez render, e os detalhes são descritos como "Quando Suwa Daijingu agarrou a mão de Kashima Daijingu, a mão se tornou um pilar de gelo e também se transformou na lâmina de uma espada. Quando Suwa Daijingu ficou assustado e recuou, Kashima Daijingu rapidamente agarrou a mão de Suwa Daijingu, esmagou-a e a jogou fora." Se você puder tocar o coração de Kashima Daijingu praticando esta técnica, não haverá sensação melhor.

Iai-zukuri (Iza-dori) 居捕

É um trabalho em dupla onde as técnicas são usadas em um estado de seiza (sentado formalmente) um em frente ao outro. Em uma postura sentada, o movimento da parte inferior do corpo é restrito, então você pode praticar movimentos corporais que omitem todos os movimentos desnecessários. Neste caso, você não tem escolha a não ser usar a técnica enquanto emite fortemente ki do tanden (área abaixo do umbigo), então é possível praticar com foco particular em usar técnicas de jujutsu unindo o fluxo de ki com o movimento do corpo.

Tachi-waza 立業

Quando você recebe vários ataques em uma postura de pé, você usa técnicas com movimentos corporais livres que acompanham a parte inferior do corpo, com base nas técnicas de Iai-zukuri. É um trabalho em dupla onde você ataca por conta própria, induz a técnica de contra-ataque do oponente e desencadeia uma técnica reversa, usando técnicas de ataque a técnicas reversas como uma unidade.

Nage-waza 投業

Técnicas com uma extensão espacial e temporal ainda maior surgem em relação ao Tachi-waza. É muito dinâmico na aparência e é um trabalho em dupla que sela os movimentos do oponente aplicando a ação mecanicamente mais eficiente em resposta ao ataque do oponente. É uma boa prática para dominar os princípios das artes marciais mostrados em "Goka no Hotei" e "Hoen Kyokushoku Ei".

Kumi-gyo Gusoku-dori 組業具足捕

É uma arte marcial onde guerreiros de armadura se aproximam e usam técnicas um contra o outro em um campo de batalha quando não têm mais armas. Faz você sentir fortemente a tradição antiga, como o Kassen-dachi da esgrima. Consiste em uma série de técnicas que aplicam efetivamente os princípios de alavancas e polias em movimentos restritos pela armadura.

Torite-gaeshi 捕手返

É estruturado assumindo uma ampla gama de opções como agarrar, socar e chutar como ataques do oponente. Também assume ataques quando alguém está brandindo uma adaga. Por outro lado, em relação à sua própria postura, assume-se que ambas as mãos não podem ser usadas livremente ou que obstáculos ao redor estão no caminho. Este trabalho em dupla, que está cheio de maneiras de lidar com várias situações e dicas, pode ter oportunidades de ser útil como autodefesa na sociedade moderna.

Ato-waza 後業

Engenhosidade para lidar com ataques por trás.

A prática segue as formas tradicionais de treinamento marcial e se concentra na aquisição de "formas" com imediaticidade. Em outras palavras, técnicas práticas são adquiridas realizando "prática de forma" com imediaticidade. Com isso, a "prática de forma" sem imediaticidade, que meramente traça e aprende a "forma" da técnica, é estritamente rejeitada.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Em busca da Espada Perdida … Aikidô


Ao falecer o Fundador, em 1969, o treinamento de espada na Hombu Dojo (Academia Central) no Japão deixou de ser parte do currículo. Naquele tempo, o treino com espada estava disponível os alunos mais graduados e era realizado a “portas fechadas”. 
Pelo contrário, o treinamento de desarmar os oponentes continuou sendo parte dos processos de exame até hoje.

Já o estudo do uso e manuseio da espada, para todos os efeitos práticos, foi completamente suspenso.
Desde aquele tempo a controvérsia sobre praticar, ou não, se espada era realmente parte, importante do treino de Aikidô se intensificou.

Indubitavelmente, Morihei Ueshiba, fundador do Aikidô, considerava o treinamento como a espada como uma parte essencial de seu ensino, bem como a sua própria formação. Ele constantemente usou armas, especialmente a espada, para mostrar os princípios do Aikidô.

Por que a esgrima é tão valiosa para a compreensão da essência do Aikidô?
Se estudarmos esta questão por uma perspectiva histórica a resposta se tornará clara.
O-Sensei, segundo ele mesmo, foi o fundador do Aikidô, mas não foi o criador do principio do Aiki. Este princípio foi reconhecido nas antigas tradições da espada Japonesa bem como na filosofia japonesa do Xinto. O-sensei era um devotado estudante do Xintoísmo e passou vários anos estudando a espada japonesa. Entre os estilos de espada que o fundador estudou havia o antigo estilo Kashima que data do século XV. O fundamento desta escola é o conceito de Shinbu, “o caminho marcial divino” em que se vence sem lutar. Para realizar isto se tem que desenvolver-se, física e espiritualmente, ao nível dos Deuses. Vale ressaltar que a escola do Katori Shinto Ryu, também tem o conceito equivalente de vencer sem matar, chama-se “heiho”.

O ideograma SHIN neste caso significa “Divino” e o ideograma BU refere-se à força criativa da vida, o poder do Musubi, ou tornar-se uno com seu parceiro. Isto foi descrito como Hoyo Doka, uma aceitação dos sentimentos negativos dos outros e da reintegração de que esta atitude magnânima volta para aqueles que nos atacam. Na aceitação, e re-absorção, é a habilidade de receber a energia de seu parceiro e unificar-se de tal forma que este poder é reduzido à zero. No Aikidô está é uma boa explanação sobre o que chamamos do poder do Kokyu. Dominar os aspectos espirituais e psicológicos desta habilidade era chamado de Aiki. A palavra Aiki também era usada para denotar o mais elevado nível de maestria no estilo Yagyu de espada onde O-sensei também foi notável.

A realização, realmente incrível, do fundador foi aplicar estes princípios para o treinamento de mãos vazias para uma nova e única maneira.
Por que isto não foi praticado, naqueles tempos antigos, depois de sua morte?
Todos os estilos de espada técnicas de grappling ou formas de Jujutsu, para no caso do guerreiro perder sua arma no calor da batalha, ser capaz de tirar a espada de outro homem quando você estava desarmado. No estilo Yagyu, isto é considerada a maior façanha.

Foi a grande visão espiritual de O-Sensei ao perceber o treinamento desarmado não como grappling, mas como a luta de espada sem a espada. Por isto, Jigoro Kano Sensei, o fundador do Judô, declarou que o Aikidô era a arte que ele havia buscado por toda a sua vida. O-Sensei, através de suas práticas espirituais, percebeu que poderíamos usar nossas mãos, ou mesmo só as nossas mentes, para cortar o ataque ou a defesa de nossos parceiros como se fosse a espada.
Combinando sua visão espiritual com o treino efetivo de espada ele percebeu que era possível estender a influência do Ki, ou intenção, além dos nossos dedos da mesma forma que nosso movimento e alcance são estendidos quando seguramos a espada.

A extensão do Ki é a essência do Mutô ou “espada sem a espada” e não há melhor exemplificação disso do que na prática do Aikidô.
No estudo da espada aprendemos como controlar o Kensen, a linha em que o Kirisaki, a ponta da espada, traça em cada corte.

Para isso devemos capazes de traçar esta linha apenas com nossos olhos da mente. Esta habilidade é um dos segredos da prática do Aikidô. Isto nos permite ver a forma invisível presente em cada técnica e enviar energia precisamente para o local correto no corpo de nosso parceiro. Esta habilidade leva vários anos para ser adquirida.

Sem o treino da espada, fica difícil ao estudante a descoberta disto.
Cortar com a espada japonesa é um movimento expansivo onde a ponta da espada deve estar com unida ao nosso centro.  Por exemplo, o corte diagonal, básico, chamado Kesa Giri, pode ser equiparado ao Ikkyo no treinamento desarmado do Aikidô.

Se uma pessoal realmente domina este corte, ela realiza o Shin Shin Toitsu ou unificação de corpo e mente. Na técnica da espada do Kesa Giri está o segredo do movimento espiral natural. A espada desce pelo seu próprio peso e o peso do corpo vem para guiar esta queda livre. O giro do quadril e a sutil conexão entre nosso centro e a ponta da espada criam uma força sem esforço e velocidade. Exatamente como no Aikidô, esta forma básica de corte com a espada depende de uma continua expansão dos nossos sentimentos; de fato está é a vida do próprio movimento.

Além do mais, o trabalho dos pés e todos os movimentos da esgrima são semelhantes aos do Aikidô. Todo movimento no Aikidô, corretamente compreendido, é um movimento de corte. Afinal de contas, a espada foi criada para se ajustar ao movimento natural do corpo e não o contrário.

Estas são as principais diferenças entre o Aikidô e qualquer uma das várias escolas de Jujutsu. O Nikkyo, Sankyo, e Yonkyo do Aikidô, por exemplo, são realizados como movimentos de corte amplo, e não como chaves de pulso de contração.
Aikidô é uma arte extremamente sutil e difícil. Requer uma vida de dedicação para alcançar sua essência. Por esta dificuldade o Aikidô é quase sempre mal interpretado e praticado, quer como uma forma de Jujutsu ou meramente como exercícios aeróbicos.

Praticar em qualquer uma destas formas falta conteúdo tanto marcial quanto espiritual. As técnicas do Aikidô são ineficazes até que a pessoa tenha compreendido a essência do movimento espiral expansivo e a utilização apropriada do Ki, ou poder interno. Portanto, eles não podem ser efetivamente usados da mesma forma que técnicas de Jujutsu, que dependem amplamente de movimentos contrativos para o propósito de quebrar as juntas do parceiro.

Combinando o estudo da espada com as técnicas desarmadas somos capazes de descobrir o antagonismo complementar sobre flexibilidade e o poder descontraído (relaxado) unidos com nitidez e precisão. Nas palavras do fundador, "no treino desarmado você deve mover como se tivesse uma espada; quando segurando uma espada você não deve depender dela, mas mover-se como se não tivesse nenhuma.” Estudar este Kamae, ou posição, nos mantém centrado na realidade da situação marcial e, ao mesmo tempo, nos permite permanecer flexíveis e relaxados.

Unificar estes opostos é descobrir o principio do Aikidô: Yin e Yang como sendo um, e movimento e descanso como sendo um Irimi-Tenkan como sendo um, a unificação de todos os opostos em uma forma de Monismo dinâmico.

Este artigo pretende dar uma visão geral e as várias semelhanças entre treinamentos armados e desarmados a ser feito com um instrutor qualificado. Não bastarão simplesmente repetir os Kata de espada como formas fixas sem descobrir sua estratégia e conteúdo. Cada estudante, sobre a supervisão de um instrutor qualificado, deverá adquirir a forma de ambos os treinamentos, armados e desarmados, como parte de um todo, e através de contínuas pesquisas, analises, esforçar-se para refinar seu, ou sua, forma individual de praticar em níveis cada vez mais altos de perícia.

Bill Gleason 
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Fonte: http://www.aikiweb.com/weapons/gleason1.html
Middlesex County, Massachusetts, United States, ao norte de  Boston.

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Adaptado e traduzido por: Gustavo N. Santos
Revisado livremente por: J. F. Santos
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 Bill Gleason Sensei é o instrutor chefe da Shobu Aikido of Boston e atualmente mantém o 6º Dan www.aizen.org