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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O que é Katori Shinto Ryu?


Katori Shinto Ryu não pode exigir a introdução de muitos, uma vez que foi um dos primeiros Koryu Bujutsu (Artes Marciais Clássicas Japonesas) introduziu a oeste, pelo famoso Don Draeger.
Escusado será dizer, são as artes marciais mais antigas existentes no Japão, com mais de 650 anos de história registrada.

O estilo foi fundado por Iizasa Choisai Ienao após 1000 dias de treinamento intensivo. O estilo é caracterizado por exercícios de kata emparelhados que envolve troca de movimentos múltiplos / técnicas entre os parceiros de treino. Outra característica notável da escola é a sua ampla gama de repertório técnico, uma característica freqüentemente encontrados em Koryu Bujutsu fundada no período Sengoku Era ou pré-Edo, quando as habilidades de artes marciais foram utilizados principalmente em campo de batalha, ao contrário do razoavelmente pacífica início meados período  Edo,  quando as habilidades de artes marciais foram feitos para a autodefesa.

Uma vez que é uma das artes marciais usadas em campo de batalha, isso significa que a pessoa deve ser capaz de lidar com variedade de armas, pois o praticante Katori Shinto Ryu é necessário para aprender Kenjutsu, Bojutsu, naginatajutsu, Iaijutsu, Jujutsu e muito mais, o que leva anos de treinamento dedicado.

Pode-se também ver a sua origem no campo de batalha, como muitas das técnicas pressupõe o uso de Yoroi (armadura) e áreas-alvo são muitas vezes a abertura de uma armadura, como as articulações.
Vasto repertório técnico do estilo foi bem preservado pelos esforços de gerações de profissionais dedicados e estilo tem muitos seguidores, tanto dentro do Japão e no exterior.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Em busca da Espada Perdida … Aikidô


Ao falecer o Fundador, em 1969, o treinamento de espada na Hombu Dojo (Academia Central) no Japão deixou de ser parte do currículo. Naquele tempo, o treino com espada estava disponível os alunos mais graduados e era realizado a “portas fechadas”. 
Pelo contrário, o treinamento de desarmar os oponentes continuou sendo parte dos processos de exame até hoje.

Já o estudo do uso e manuseio da espada, para todos os efeitos práticos, foi completamente suspenso.
Desde aquele tempo a controvérsia sobre praticar, ou não, se espada era realmente parte, importante do treino de Aikidô se intensificou.

Indubitavelmente, Morihei Ueshiba, fundador do Aikidô, considerava o treinamento como a espada como uma parte essencial de seu ensino, bem como a sua própria formação. Ele constantemente usou armas, especialmente a espada, para mostrar os princípios do Aikidô.

Por que a esgrima é tão valiosa para a compreensão da essência do Aikidô?
Se estudarmos esta questão por uma perspectiva histórica a resposta se tornará clara.
O-Sensei, segundo ele mesmo, foi o fundador do Aikidô, mas não foi o criador do principio do Aiki. Este princípio foi reconhecido nas antigas tradições da espada Japonesa bem como na filosofia japonesa do Xinto. O-sensei era um devotado estudante do Xintoísmo e passou vários anos estudando a espada japonesa. Entre os estilos de espada que o fundador estudou havia o antigo estilo Kashima que data do século XV. O fundamento desta escola é o conceito de Shinbu, “o caminho marcial divino” em que se vence sem lutar. Para realizar isto se tem que desenvolver-se, física e espiritualmente, ao nível dos Deuses. Vale ressaltar que a escola do Katori Shinto Ryu, também tem o conceito equivalente de vencer sem matar, chama-se “heiho”.

O ideograma SHIN neste caso significa “Divino” e o ideograma BU refere-se à força criativa da vida, o poder do Musubi, ou tornar-se uno com seu parceiro. Isto foi descrito como Hoyo Doka, uma aceitação dos sentimentos negativos dos outros e da reintegração de que esta atitude magnânima volta para aqueles que nos atacam. Na aceitação, e re-absorção, é a habilidade de receber a energia de seu parceiro e unificar-se de tal forma que este poder é reduzido à zero. No Aikidô está é uma boa explanação sobre o que chamamos do poder do Kokyu. Dominar os aspectos espirituais e psicológicos desta habilidade era chamado de Aiki. A palavra Aiki também era usada para denotar o mais elevado nível de maestria no estilo Yagyu de espada onde O-sensei também foi notável.

A realização, realmente incrível, do fundador foi aplicar estes princípios para o treinamento de mãos vazias para uma nova e única maneira.
Por que isto não foi praticado, naqueles tempos antigos, depois de sua morte?
Todos os estilos de espada técnicas de grappling ou formas de Jujutsu, para no caso do guerreiro perder sua arma no calor da batalha, ser capaz de tirar a espada de outro homem quando você estava desarmado. No estilo Yagyu, isto é considerada a maior façanha.

Foi a grande visão espiritual de O-Sensei ao perceber o treinamento desarmado não como grappling, mas como a luta de espada sem a espada. Por isto, Jigoro Kano Sensei, o fundador do Judô, declarou que o Aikidô era a arte que ele havia buscado por toda a sua vida. O-Sensei, através de suas práticas espirituais, percebeu que poderíamos usar nossas mãos, ou mesmo só as nossas mentes, para cortar o ataque ou a defesa de nossos parceiros como se fosse a espada.
Combinando sua visão espiritual com o treino efetivo de espada ele percebeu que era possível estender a influência do Ki, ou intenção, além dos nossos dedos da mesma forma que nosso movimento e alcance são estendidos quando seguramos a espada.

A extensão do Ki é a essência do Mutô ou “espada sem a espada” e não há melhor exemplificação disso do que na prática do Aikidô.
No estudo da espada aprendemos como controlar o Kensen, a linha em que o Kirisaki, a ponta da espada, traça em cada corte.

Para isso devemos capazes de traçar esta linha apenas com nossos olhos da mente. Esta habilidade é um dos segredos da prática do Aikidô. Isto nos permite ver a forma invisível presente em cada técnica e enviar energia precisamente para o local correto no corpo de nosso parceiro. Esta habilidade leva vários anos para ser adquirida.

Sem o treino da espada, fica difícil ao estudante a descoberta disto.
Cortar com a espada japonesa é um movimento expansivo onde a ponta da espada deve estar com unida ao nosso centro.  Por exemplo, o corte diagonal, básico, chamado Kesa Giri, pode ser equiparado ao Ikkyo no treinamento desarmado do Aikidô.

Se uma pessoal realmente domina este corte, ela realiza o Shin Shin Toitsu ou unificação de corpo e mente. Na técnica da espada do Kesa Giri está o segredo do movimento espiral natural. A espada desce pelo seu próprio peso e o peso do corpo vem para guiar esta queda livre. O giro do quadril e a sutil conexão entre nosso centro e a ponta da espada criam uma força sem esforço e velocidade. Exatamente como no Aikidô, esta forma básica de corte com a espada depende de uma continua expansão dos nossos sentimentos; de fato está é a vida do próprio movimento.

Além do mais, o trabalho dos pés e todos os movimentos da esgrima são semelhantes aos do Aikidô. Todo movimento no Aikidô, corretamente compreendido, é um movimento de corte. Afinal de contas, a espada foi criada para se ajustar ao movimento natural do corpo e não o contrário.

Estas são as principais diferenças entre o Aikidô e qualquer uma das várias escolas de Jujutsu. O Nikkyo, Sankyo, e Yonkyo do Aikidô, por exemplo, são realizados como movimentos de corte amplo, e não como chaves de pulso de contração.
Aikidô é uma arte extremamente sutil e difícil. Requer uma vida de dedicação para alcançar sua essência. Por esta dificuldade o Aikidô é quase sempre mal interpretado e praticado, quer como uma forma de Jujutsu ou meramente como exercícios aeróbicos.

Praticar em qualquer uma destas formas falta conteúdo tanto marcial quanto espiritual. As técnicas do Aikidô são ineficazes até que a pessoa tenha compreendido a essência do movimento espiral expansivo e a utilização apropriada do Ki, ou poder interno. Portanto, eles não podem ser efetivamente usados da mesma forma que técnicas de Jujutsu, que dependem amplamente de movimentos contrativos para o propósito de quebrar as juntas do parceiro.

Combinando o estudo da espada com as técnicas desarmadas somos capazes de descobrir o antagonismo complementar sobre flexibilidade e o poder descontraído (relaxado) unidos com nitidez e precisão. Nas palavras do fundador, "no treino desarmado você deve mover como se tivesse uma espada; quando segurando uma espada você não deve depender dela, mas mover-se como se não tivesse nenhuma.” Estudar este Kamae, ou posição, nos mantém centrado na realidade da situação marcial e, ao mesmo tempo, nos permite permanecer flexíveis e relaxados.

Unificar estes opostos é descobrir o principio do Aikidô: Yin e Yang como sendo um, e movimento e descanso como sendo um Irimi-Tenkan como sendo um, a unificação de todos os opostos em uma forma de Monismo dinâmico.

Este artigo pretende dar uma visão geral e as várias semelhanças entre treinamentos armados e desarmados a ser feito com um instrutor qualificado. Não bastarão simplesmente repetir os Kata de espada como formas fixas sem descobrir sua estratégia e conteúdo. Cada estudante, sobre a supervisão de um instrutor qualificado, deverá adquirir a forma de ambos os treinamentos, armados e desarmados, como parte de um todo, e através de contínuas pesquisas, analises, esforçar-se para refinar seu, ou sua, forma individual de praticar em níveis cada vez mais altos de perícia.

Bill Gleason 
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Fonte: http://www.aikiweb.com/weapons/gleason1.html
Middlesex County, Massachusetts, United States, ao norte de  Boston.

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Adaptado e traduzido por: Gustavo N. Santos
Revisado livremente por: J. F. Santos
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 Bill Gleason Sensei é o instrutor chefe da Shobu Aikido of Boston e atualmente mantém o 6º Dan www.aizen.org


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Kuji no in  ”A escola da palavra verdadeira”

O kuji no in é um prática exotérica da escola Mikkyo de budismo Shingon. Há nove sinais, e cada um deles tem um nome: 
- rin; 
- pyo; 
- to; 
- sho; 
- kai; 
- jin; 
- retsu; 
- zai; 
- zen.
Eles compõem o kuji no in. Depois de dominar esses nove e unificar o corpo e a mente por meio da prática, você pode usar o que se chama de décima letra. Para tanto, você faz a espada-de-mão, inscrevendo nove linhas na palma da mão. Cada uma das linhas representa uma das nove letras, e, juntas, elas formam uma grelha. Quando pomos mais um caractere no centro da grelha, isso se chama ‘o método do décimo caractere’ ou ‘da décima letra.





Insere-se no centro da grelha uma décima letra, escolhida dentre um conjunto determinado de caracteres chineses. A décima letra é escolhida de acordo com as suas necessidades. Se você está atacando, ou está sendo atacado, ou não quer que o seu navio afunde no mar, ou quer curar uma doença, tem de inserir o caractere apropriado no centro da grelha.

Imagine, por exemplo, que você fosse fazer uma viagem de navio. Nesse caso, desenharia a grelha das nove letras e, no centro, inscreveria o caractere que significa ‘dragão’. Então, mesmo que o seu navio afundasse, você não se afogaria. Cortaria as letras rapidamente e faria uma invocação específica. A invocação o deixaria confiante de que, mesmo que o seu navio fosse a pique, você seria salvo.
Esse método da décima letra é necessário quando você se determina a fazer alguma coisa e precisa ter uma atitude firme e inabalável, ou seja, precisa ter fé na sua capacidade de conseguir. Nesse caso, você usa a inscrição das nove letras ou o caminho da décima letra para instilar essa atitude no seu espírito e na sua mente.

Ao determinar a estratégia marcial, é essencial que você tenha uma confiança inabalável na sua própria capacidade. Deve ter uma convicção capaz de romper qualquer barreira, transpor qualquer obstáculo. Para ilustrar esse ponto, temos a antiga história de um casal de namorados. A jovem foi atacada por um tigre assassino e ficou gravemente ferida. Por mais que o namorado tentasse curá-la, nada havia que ele pudesse fazer, e ela morreu. Fora morta pelo tigre; e, das profundezas do seu próprio sofrimento, o namorado determinou-se a vingar-se do tigre por ter matado a sua amada.
Tomou seu arco e suas flechas e, todos os dias, entrava nas matas em busca do tigre. Por fim, certo dia, viu a distância a forma de um tigre adormecido e percebeu de imediato que aquele era o tigre que matara sua namorada. Estirou o arco, mirou cuidadosamente e desferiu a flechada. A flecha perfurou profundamente o corpo do tigre e o jovem correu adiante para confirmar que ele estava morto. Quando chegou lá, porém, percebeu que sua flecha havia perfurado uma pedra listrada semelhante à forma de um tigre adormecido.
Depois disso, a reputaçâo do jovem no povoado em que vivia cresceu, pois todos começaram a comentar sobre o quanto ele era forte, capaz de perfurar uma pedra com uma flechada. Os outros queriam ver se ele seria capaz de fazê-lo de novo. Mas, por mais que ele tentasse, as flechas batiam na pedra e caíam. Percebeu ele que isso acontecia porque estava tentando sOmente cravar uma flecha numa pedra. Antes, quando pensara que a pedra era o tigre, a determinação de vingar sua amada possibilitara que ele perfurasse até mesmo uma pedra com sua flecha. Essa história deu origem ao ditado japonês: ‘Uma vontade forte pode furar uma pedra:’
O homem de estratégia tem de ter uma tal vontade forte, uma tal convicção inabalável, pois é nessa espécie de crença ou fé que uma força incrivelmenc te poderosa se manifesta. Sem esse tipo de convicção, até mesmo os mais nobres esforços se perdem.
Isso vale, evidentemente, não só para a estratégia marcial, mas para todos os aspectos da vida. A história do Japão nos fornece um outro exemplo. Na época das guerras entre os clãs Taira e Minamoto, no período da história do Japão em que a casta guerreira estava tomando forma, ocorreu, em 1184, a Batalha de Yashima. Nela, os guerreiros de Taira desafiaram os de Minamoto a tentar derrubar com uma flecha um leque que estava preso no alto do mastro de um de seus navios. Os guerreiros de Minamoto, que estavam em terra olhando para os navios, perceberam que seria extremamente difícil para qualquer homem atirar uma flecha a tão grande distância, quanto mais acertar o alvo, fixado no mastro balouçante de um navio em águas encapeladas.
Mesmo assim, um certo guerreiro chamado Nasu no Yoichi apresentouse e disse que tentaria derrubar o leque do alto do mastro. Incontinenti, entrou com seu cavalo nas águas rasas. Encaixando a flecha na corda do arco antes de puxá-lo, percebeu que seria muito difícil mirar o leque, que balouçava como o mar. Invocou então o nome da sua divindade tutelar, que era também a divindade tutelar do clã Minamoto: o grande bodhisattva Hachiman, em quem cria firmemente.
Fez um voto ao grande bodhisattva Hachiman, o deus da guerra, que, mesmo que morresse no dia seguinte, não se arrependeria de sua vida se fosse capaz de atingir o leque com sua flecha. Pediu então a Hachiman que acalmasse as ondas, de modo que o alvo não se mexesse tanto. Milagrosamente, naquele mesmo instante, o mar se acalmou; o guerreiro estirou o arco, desferiu a flechada e atingiu o alvo. Os guerreiros de ambos os exércitos aclamaram sua grande habilidade.
“Provavelmente, esse milagre é um símbolo. O acalmar das ondas simboliza a tranqüilização do seu próprio espírito, que ocorreu quando ele invocou sua divindade. Provavelmente, foi por ter acalmado seu próprio espírito que ele foi capaz de atingir o leque no ponto exato em que as hastes se encontram. É isso que quero dizer quando falo de fé ou convicção. Os guerreiros tinham de haver-se com situações especialmente difíceis.”

Os Usos dos Nove Sinais
Otake Sensei já explicou que o fundador da Katori Shinto Ryu, Choisai Sensei, incorporou o uso de técnicas esotéricas da tradição budista para aumentar a boa fortuna dos guerreiros. Para tanto, o guerreiro precisa executar a série de gestos de mão chamados kuji no in e selar o encantamento com um décimo movimento secreto. Esse sistema pode ser usado de várias maneiras benéficas por um praticante instruído.

Em toda parte, é natural que os seres humanos, quando começam a ter muitos problemas, procurem algo em que se apoiar, algo que aumente a sua capacidade de lidar com a situação. Para os guerreiros do Japão, esse algo foi proporcionado pelas doutrinas da escola budista dos encantamentos e domisticismo. Digo isso muito embora se pense comumente, hoje em dia, que as artes da guerra e da espada são em tudo idênticas às artes do Budismo meditativo, e muita gente diga que a espada e o Zen são a mesma coisa.

Porém, embora a essência do Zen seja a mesma essência de todo o Budismo, o Zen é uma forma que exige um período de treinamento extremamente longo. Esse treinamento consiste em ficar sentado de frente para uma parede branca. As únicas instruções do praticante são a de não pensar em nada, e, mais ainda, de não pensar em não pensar em nada. O domínio dessa prática leva décadas. É necessário um tempo enorme para penetrar no domínio do não-ego.

“A escola Mikkyo, por sua vez, oferece uma prática ou uma forma de atividade concreta por meio da qual a pessoa pode entrar nesse mesmo estado de auto-apagamento. Essa atividade é a prática da formação das ‘Nove Letras’ ou sinais de mão. O uso de uma técnica concreta como essa é muito mais rápido.”

Essas técnicas mágicas também podem ser usadas para curar os doentes. O paciente que procura Mestre Otake senta-se em silêncio enquanto o Mestre escreve encantamento”s sobre uma folha de papel. Ele desenha uma silhueta simples do corpo humano e, no lugar do desenho correspondente à parte do corpo que precisa de tratamento, as nove linhas entrecruzadas que representam o kuji no in. Acrescenta então o décimo sinal. O papel do desenho é dobrado em forma de leque e encaixado num gravetinho que serve de cabo.

Então, Mestre Otake coloca o leque sobre o altar da família e, de pé diante do altar, faz os nove sinais de mão. Pega o leque de papel e o passa sobre o paciente, depositando-o depois sobre o local da doença. No fim, o paciente tem de levar o leque até as margens de um rio, cravar na terra três varinhas de incenso acesas, atirar o leque na água e ir embora sem olhar para trás.

Esses ensinamentos do Fundador da Katori Shinto Ryu são úteis para todos os aspectos da vida:
Os principais guerreiros ocupavam-se do estudo de muitas coisas que envolviam práticas mágicas e as artes das fórmulas mágicas e encantamentos. Essa prática misteriosa inclui a arte da cura de doenças; métodos para entrar na fortificação ou castelo de um inimigo; e métodos de proteger o próprio castelo contra sítios ou ataques. Inclui, na verdade, um número incalculável de artes.

Essas artes são preservadas na Katori Shinto Ryu, onde, por exemplo, temos métodos para a remoção de objetos alojados no olho e meios para a cura de doenças. Essas práticas de cura são chamadas, no Japão, de te-ate. O nome implica o toque das mãos ou a imposição de mãos.
A mão pode ser usada para gerar energia. Nos tempos antigos, provavelmente tinha ainda mais poder do que tem hoje em dia. Tomemos o exemplo de uma criança que está com dor de estômago e se queixa disso para sua mãe. A mãe corre com o filho para o consultório médico, mas encontra-o fechado. Vai para vários lugares à procura de alguém que cuide da criança, mas não acha ninguém. Por compaixão, então, ela procura confortar o filho, tocando-o com suas próprias mãos.
De modo quase milagroso, a criança sente um grande alívio, ou mesmo sente a dor desaparecer por completo. Nesse caso, foi o amor da mãe que passou por suas mãos, confortou a criança e provocou o alívio. Às vezes, essa energia pode ser muito mais eficaz do que a de um estranho que por acaso é médico e diz: ‘Onde está doendo?’ ou ‘O que você está sentindo?’
É por isso que certas pessoas, quando sofrem, por exemplo, de uma inchação ou uma dor em algum lugar, podem aliviar-se ou mesmo curar-se completamente por meio do poder da lei budista. Elas fazem uso do seu próprio poder psicológico, ou seja, do poder de Deus. A eficácia desse poder depende da convicção ou da fé da pessoa.

Nestes últimos tempos, temos ouvido falar muito da psicocinese e dos poderes psicológicos ou ocultos. Para ativar esse tipo de poder, qualquer que seja o nome que se lhe dê, a pessoa tem de ter uma fé ou uma crença implícita na existência do poder e uma convicção da sua eficácia. A pessoa plenamente convicta de que esse método poderá curá-la será curada milagrosamente. Já vi isso acontecer inúmeras vezes. É por isso que penso que essas coisas não devem ser chamadas de ocultas, nem mesmo de milagrosas.

Aprendi por experiência que essas coisas misteriosas acontecem de fato.
Essa fé, essa convicção, pode operar milagres. Não estou me referindo aos casos de coincidência, nos quais uma pessoa pensa em algo e aquilo que ela pensou acontece. A convicção pode realmente produzir e manifestar milagres. É uma questão de fé. Hoje em dia, muitos acreditam em Deus ou no Buda. Não obstante, qualquer que seja a opinião dessas pessoas, esses eventos milagrosos realmente acontecem.”

No que diz respeito aos armamentos, eles são instrumentos de mau agouro. Não devem ser usados pelo homem do Tao. Isso porque as ações das armas terão a sua retribuição; espinheiros e abrolhos crescem nos locais onde exércitos estiveram aquartelados. As grandes guerras seguem-se inevitavelmente anos de escassez. O homem do Tao, quando está em casa, faz da esquerda o lugar de honra; e, quando usa armas, faz da direita o lugar de honra. Só usa as armas quando não pode evitá-lo e não se agrada de suas conquistas. Caso se agradasse delas, é porque teria gosto pelo morticínio dos homens. Aquele que se agrada do morticínio dos homens não pode ter a sua vontade imposta ao mundo.

Tao Te Ching, de Lao Tzu


Matéria extraída do livro  ”O caminho do guerreiro de Howard Reid e Michael Groucher” Editora Cultrix


fonte: www.artesmarciaispaulonetto.wordpress