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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Kojiki - A tradução continua! [Capítulo 1 - 2]

Muitos anos passaram desde a minha primeira tentativa de tradução do Kojiki para o Bungakuu. Consciente do sucesso da tradução resolvi continuar o processo esperando proximamente publicar a tradução completa. Depois de olhar para a minha primeira contribuição apercebi-me que tinha dado na altura poucos elementos sobre a “origem” dessa tradução francesa. Como nunca é tarde demais, o texto original dessa tradução foi escrita por um francês anónimo que publicou no seu website enciclopédico http://japonline.free.fr/Encyclo-accueil.htm uma versão resumida do Kojiki em flash. Apesar de alguns defeitos de escrita e de uma ocultação excessiva de algumas partes da narração julgo que essa retransmissão do livro é suficientemente elucidativa e simplificada para transmitir o conteúdo da obra de forma eficiente e moderna. Em algumas circunstâncias a fonetização das palavras japonesas poderá fugir dos critérios escritos que cada um de nós utiliza individualmente. Peço como tal alguma tolerância para com essa transcrição. Por outro lado tentei desta vez inserir o meu cunho pessoal com mais insistência para compensar aquilo que considero os pontos fracos do texto aqui traduzido. Considero que o resumo aqui publicado é suficientemente abrangente para transcrever as subtilezas que fornecerão elementos de reflexão sobre a cultura japonesa e a sua ligação à obra. Para acompanhar o texto resolvi também integrar imagens que ajudarão certamente a uma melhor visualização do universo por vezes muito abstracto dos kamis japoneses.

Continuação do capítulo 1


A multiplicação dos Kamis na Terra.
Os dois recém-casados não se ficaram por aqui. Deram nascença a todos os Kamis que se encontram agora na Terra: Kami das árvores, das montanhas, das pedras, das plantas e das flores, dos mares, dos lagos e dos rios.

O seu primeiro filho foi Owatatsumi o senhor dos oceanos. Depois, Izanami deu nascença a Kamihaya Akitsu Hiko que controla as terras e Haya Akitsu Hime que controla a superfície do mar. Múltiplos Kamis surgiram pouco depois.
Izanami deu então nascença ao Kami do fogo, Kagutsuchi no Kami. O parto acaba porém tragicamente: Izanami morre queimada pela incandescência da sua progenitura.
Antes de morrer, da sua boca surgem Kanayama biko e Kanayama hime, os deuses do metal,  assim como Haniyasu hiko e Haniyasu hime, deuses da terra.

Izanami juntou-se ao Reino das Sombras. Assim nasceu, pela primeira vez, a morte e as suas consequências: a decomposição e o luto.
Enraivecido, Izanagi decapita o recém-nascido com a sua espada Totsuka no Tsurugi. Do sangue de Kagutsuchi nascem novos kamis para cada gota derramada.
Izanagi tinha perdido o gosto de viver. Sem a sua esposa a vida já não fazia sentido. Resolveu então ir à sua procura. Afinal de contas, ele sempre era um deus.



Questionou todos os homens e animais que cruzava no seu caminho se esses conheciam algum meio para encontrar a sua falecida esposa. Uma serpente indicou-lhe o caminho, a entrada para o Inferno (Yomi) situada na província de Izumo.
À medida que Izanagi penetrava nas trevas do inferno a luz desaparecia. Ouviu gritos e gemidos que teriam aterrorizado qualquer homem mas a sua determinação era imutável. Caminhou muito tempo na obscuridade absoluta. Enquanto o desespero se apoderava do seu coração, Izanagi ouviu finalmente a voz da sua amada.
Não a pode ver, mas consegue ouvir a sua voz distintamente. Izanami está feliz por ver o seu esposo ter iniciado tão grande caminhada para se juntar a ela.
-“Vim para te levar comigo”
Era porém tarde demais pois Izanami já tinha comido os alimentos do Reino das Sombras o que tornava impossível o seu regresso à superfície.
-“Vou ainda assim suplicar os deuses deste Reino para que esses me permitam regressar contigo!” disse. “Espera por mim aqui o tempo necessário, promete não seguir-me e que não saíras daqui!”.
Izanagi assim prometeu…

Capítulo 2
 E assim aguardou até que a espera se tornou insustentável. Impaciente, resolveu quebrar a promessa. Caminhou outra vez na escuridão. Parecia-lhe ouvir a voz da sua esposa implorar-lhe para que não continuasse mas a tentação era demasiado forte, ele tinha que a ver nem que por um breve instante.
Aproximou-se de Izanami enquanto essa lhe implorava para ele ir embora. Retirou um dos dentes do seu pente para fazer uma tocha. Através da clareza, viu por um instante a beleza intacta de Inazami decompor-se e apodrecer perante os seus olhos. A sua carne era devorada pelos vermes.
Aterrorizado, Izanagi resolveu fugir do inferno. Demónios corriam atrás dele enquanto a sua esposa gritava “Traidor! Quebraste a tua promessa!”. Os próprios guardiões do inferno perseguiam-no.
Uma vez fora Izanagi pegou imediatamente num rochedo para selar a porta do inferno. 
O nascimento de Susano-o e Amaterasu
Izanagi errou até à ilha de Kyushu. Próximo do Rio das Laranjeiras, ficou fascinado pela clareza da água. A pureza do rio poderia lavar-lhe dos seus males e ajudar -lhe esquecer os seus problemas.
Retirou a sua roupa e tomou banho. 14 Abluções precisamente.
Vinte e seis novos Kamis nasceram deste banho, uns da sua roupa outros das partes do corpo que ele limpou.
Ao limpar o seu olho direito deu nascença a Tsukiyomi, o kami da Lua. Do seu nariz nasceu Susano-o, o kami impetuoso das tormentas. Finalmente, do seu olho esquerdo nasceu Amaterasu, a kami do sol. Desde esse momento a vida seria dividida entre noite e dia.
Izanagi, fascinado pela beleza de Amaterasu, pediu-lhe para essa erguer-se e iluminar o céu para o bem de todos.


 Por outro lado o seu irmão Susano-o era muito mais inclinado para actos violentos. Constantemente agressivo, procurando sempre criar o caos à sua volta, a sua passagem pelos mares, o seu reino, provoca terríveis tempestades. A sua imprevisibilidade oscilava entre a letargia de uma brisa e a fúria de um tufão.  
Provocar inundações, destruir diques, arrozais, navios, tudo não passavam aos seus olhos de brincadeiras feitas aos seres humanos.



A ira de Amaterasu
Susano-o era também capaz de afecto… Mas apenas para a sua irmã Amaterasu. Um dia resolveu visitá-la no céu.
Os kamis que moravam na via láctea, assustados pela perspectiva de serem visitados por um  kami tão turbulento, visitaram Amaterasu e pediram-lhe para essa livrar-se do seu irmão. Os kamis conheciam bem Susano-o e os seus frequentes estragos que eles tinham que resolver. Por outro lado Amaterasu também não apreciava muito o seu irmão que ela considerava brutal e grosseiro.
A Kami do Sol pegou no seu arco divino de madeira lacrada vermelha e de duas aljavas recheadas de flechas. Colocou-se em posição frente à porta do Reino Divino com a firma intenção de impedir a ascensão de Susano-o.   
Um rio separa o Reino da Terra e o Reino dos Deuses e no qual um arco-íris faz ofício de ponte. Susano-o parou na margem oposta ao Reino dos Deuses. Muito educado, cumprimentou a sua irmã que se encontrava na outra margem.  Amaterasu perguntou-lhe o que ele vinha fazer e quais eram as suas intenções.
O Kami da tempestade respondeu com sinceridade que apenas vinha para a visitar. Começou a rir de forma tonitruante e ensurdecedora.
 Surpreendido com a frieza de Amaterasu, pediu-lhe para ambos quebrarem as suas armas em sinal de boa fé.
Susano-o entregou-lhe a sua espada que ela quebrou em 3 pedaços.
Amaterasu entregou-lhe o seu arco e flechas que ele igualmente quebrou.
Os dois irmãos estavam finalmente juntos. Amaterasu não podia deixar porém de desconfiar do seu irmão. Ela dificilmente conseguia lidar com a sua rudeza e falta de educação. Infelizmente esse acabou por ser a causa de numerosos problemas e a sua presença no Reino Divino não foi tolerada por muito mais tempo.
Amaterasu acabaria por sofrer as consequências.
Das suas numerosas actividades, a costura era uma das preferidas de Amaterasu. Um dia, rodeada das suas serventes e em plena ocupação, o tecto abriu-se numa larga fissura. Os destroços caiam abundantemente enquanto as costureiras fugiam apavoradas. Um potro degolado caiu da fissura enquanto o terrível riso de Susano-o ecoava na sala. Estava muito satisfeito por ter pregado uma boa partida à sua irmã.



As vibrações do seu riso faziam cair cada vez mais destroços que feriam algumas serventes enquanto outras gritavam aterrorizadas pela visão do sangue do potro. Amaterasu estava também ferida no dedo. Enraivecida, encontrou-se com os outros kamis para exigir a expulsão de Susano-o. Os outros deuses demonstraram indiferença. Susano-o não lhes tinha feito nada e sendo ele um kami a sua presença era perfeitamente justificável. O seu irmão não era problema deles.
Amaterasu humilhada refugiou-se numa caverna selando a porta. Sem a sua presença o mundo entrou numa era de escuridão. Sem calor, apenas a luz das estrelas e do Kami da lua dissipavam parcialmente o escuro.
Os outros kamis começaram também eles a sofrer as piadas de mau gosto do Susano-o. Pouco tempo depois todos os kamis se juntaram para suplicar Amaterasu que essa regressasse e expulsasse o seu irmão. Com o orgulho ferido a kami do Sol não respondeu aos apelos.
O grande concelho dos kamis, composto pelos cinco primeiros casais, resolveu convocar todos os deuses. Milhões apresentaram-se perante o concelho.


 Ainda assim, apesar de reunidos, nenhum deles conseguiu encontrar uma ideia que conseguisse convencer Amaterasu. Omoikane, o kami “cheio de ideias”, propôs utilizar o canto dos galos para que esses invocassem a kami do Sol. Entusiasmados com a proposta, milhões de galos foram colocados em todos os toriis. Amaterasu manteve-se imperturbável e todos os kamis concluíram que os galos eram criaturas vaidosas por pensarem ser os responsáveis do surgimento do sol.
O kami cheio de ideias encontrou um novo estratagema. Amaterasu sendo uma mulher, esta seria inclinada para o ciúme e a inveja como qualquer outra mulher. Omoikane propôs então provocar o ciúme da Amaterasu. Todos os kamis concordaram com a proposta. Foram buscar uma árvore gigante que enfeitaram com pedras preciosas fabricadas por Tamanoya.

O kami que trabalhava na forja, Ishikori Dome, criou um espelho gigante com painéis de outro chamado Yata no kagami. O todo foi colocado frente à caverna onde se encontrava Amaterasu.
Os deuses encadearam milhares de luzes cuja luz se reflectia no espelho e nas jóias. Todos começaram a rir-se e a celebrar essa nova fonte de luz. Aclamavam essa nova divindade solar. Uzume, kami da dança, convidou todos os deuses para um baile histérico. 

Amaterasu sai da gruta surpreendida pelo barulho. Espreitou lá fora e apreciou o espectáculo. Amaterasu não tardou em ficar louca de inveja. Saiu da sua gruta para ver aquela que lhe estava a tirar o protagonismo.
 Enquanto se aproximava parecia-lhe ver a mais bela das mulheres até aperceber-se que não passava do seu próprio reflexo no gigantesco espelho Yata no kagami. Enganada, Amaterasu quis regressar para a sua caverna. Era sem contar com o kami poderoso Tajikarao que destruiu a entrada da gruta e selou-a com a corda Shirikumi. Foi nessa ocasião que nasceu a tradição das shimenawa.
Amaterasu sentia-se perdida e desapontada mas pouco depois apercebeu-se que todos precisavam dela. Feliz outra vez, a kami do Sol pegou no espelho Yata no kagami e nas jóias Magatama agradecendo a oferenda.


tradução de Matthieu Rego

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Shintoísmo ( xintoismo)



Estudiosos têm afirmado que o termo "Shintô"  (caminho dos deuses) foi inventado depois da chegada do budismo ao Japão, para que a tradição religiosa nativa pudesse se distinguir da nova religião. De fato, o termo foi  usado primeiro no Nihongi. Antes da chegada do budismo, a religião nativa era de natureza local, centrada na veneração e no culto aos kami, termo que se aplica a tudo que é sagrado , puro e poderoso. Os kami não eram apenas as divindades encontradas nos textos sagrados, mas também podiam ser pessoas, animais,árvores, plantas, rochas, montanhas e mares - qualquer coisa que parecesse impressionante, inspirasse admiração ou exibisse força vital. Antes da construção de santuários de madeira para a realização de cerimônias formais, os kami eram cultuados em sítios rituais nos arredores, ao ar livre. As crenças e práticas xintoístas tornaram-se mais padronizadas, em parte como reação à entrada do budismo e da cultura chinesas. De fato, o relacionamento e a interação entre o xintotísmo e o budismo estão no cerne na religião  japonesa.

fonte: Livro de ouro das religiões. trecho do autor  Jay Sakashita

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Hachiman , Kami dos Samurais


Wakamiya Hachiman ( 八幡神, Hachiman-jin/Yahata no kami) é um kami identificado com o lendário imperador Ojin.
Embora muitas vezes chamado de o deus da guerra, ele é mais corretamente definida como o deus tutelar dos guerreiros. Ele também é o protetor divino do Japão e dos japoneses.

O nome Hachiman significa Deus dos Oito Estandartes, referindo-se aos oito bandeiras celestiais que marcaram o nascimento do divino Imperador Ojin .
Desde os tempos antigos Hachiman era adorado por camponeses como o deus da agricultura e dos pescadores que esperavam que ele enchesse suas redes com muito peixe.

Durante todo o período medieval japonês, a adoração por Hachiman se espalhou por por todo o Japão desde os samurais até os camponeses. Tanto era sua popularidade que existem uma grande quantidade de santuários no Japão dedicados a Hachiman, a segunda mais numerosa perdendo apenas para os santuários dedicados a Inari Ōkami.  O santuário em Usa (Usa Hachiman-gu) , na Província de Oita é santuário mais importante de todos e juntamente com Iwashimizu Hachiman-gū , Hakozaki-gū e Tsurugaoka Hachiman-gu , são apontados como os principais santuários dedicados a ele.Hachiman aparece em pinturas e esculturas de várias formas, mas é mais comum vê-lo como monge. Está directamente associado à deusa xintoísta Hime-gami (Nakatsu-hime) e é normalmente tido como uma encarnação do buda Amida.


Após a chegada do budismo ao Japão, Hachiman tornou-se uma divindade sincretista, fundindo elementos da adoração kami nativa com o budismo (Shinbutsu Shugo). No panteão budista do Século VIII, ele se tornou Grande Bodisatva Hachiman (八幡大菩薩, Hachiman Daibosatsu)


Como Imperador Ojin, Hachiman era um ancestral dos Minamotos, tornando-se um kami tutelar (氏神, , ujigami) do clã samurai Minamoto . Minamoto no Yoshiie , quando teve idade para ir ao Santuário Iwashimizu em Kyoto, assumiu o nome de Hachiman Taro Yoshiie e através de seu poderio militar e de sua virtude como líder, era considerado e respeitado como o ideal samurai através dos tempos. Depois que Minamoto no Yoritomo tornou-se shogun e estabeleceu o shogunato Kamakura , a popularidade Hachiman cresceu e tornou-se, por extensão, o protetor da classe guerreira que o shogun trouxera ao poder. Por esta razão, o shintai de um Santuário Hachiman é geralmente um estribo ou uma curva .

Durante todo o período medieval japonês, a adoração de Hachiman espalhou-se por todo o Japão não só entre os samurais , mas também no campesinato.
O Brasão de Hachiman é um tomoe , um círculo com três vórtices girando à direita ou à esquerda. Os Clãs samurais usam muito esse brasão como se fosse sua, ironicamente, incluindo alguns que traçam sua ancestralidade até os inimigo mortais dos Minamoto, como era o caso do Clã Taira da linha do Imperador Kammu (Kammu Heishi).






estatua de Hachiman em Chōsokabe Motochika,

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As Montanhas sagradas



Os lugares sagrados de peregrinação e tradições do Japão foram condicionadas pelas características geográficas e topográficas, tanto quanto por fatores religiosos e culturais. Mais de 80% da zona rural japonesa é terrenos montanhosos. Esta condição física deu à luz em tempos antigos a uma tradição única e duradoura de crenças e práticas religiosas voltadas para as montanhas. Embora nunca sistematizada, essa tradição se espalhou tão ampla que os estudiosos japoneses denominou sangaku shinko, 'crenças na montanha' significado ou "montanha de credo". Sangaku shinko não deve, contudo, ser pensado no sentido estreito de adoração montanha, mas sim entendida a ter um significado mais amplo que inclui a mitologia, crenças populares, rituais, práticas xamânicas e estruturas santuário que estão associados com o uso religioso da especial montanhas. H. Byron Earhart, um estudioso da religião japonesa, escreve que "a maioria das montanhas cujo caráter sagrado é atestada por evidências arqueológicas também são destaque nos primeiros registros escritos do Japão. Nestes escritos montanhas desempenham um papel religioso na cosmogonia e teogonia da mitologia formal e são proeminentes como moradas dos deuses, como locais de sepultamento, e como locais sagrados de grande beleza. Nas duas compilações judiciais que representam os primeiros escritos no Japão (Kojiki, compilados 712 dC e Nihon Shoki, AD compilado 720), as montanhas aparecem em quase todos os imagináveis ​​disfarce religioso ".

Uma explicação geral para este deificação intenso de montanhas no Japão pode ser encontrada nas características de montanhas, em oposição a planície. A atividade humana ocorreu em sua maior parte, nas planícies, enquanto as montanhas eram um mundo misterioso e raramente visitado outros. A altura incrível, estranheza do terreno, e perigo de entrada para as montanhas inspiradas na mente humana uma atitude de reverência e adoração. Uma explicação mais incisiva para a santificação antecipada de certas montanhas no entanto, podem ser encontrados nas crenças de xintoísmo, a religião indígena, xamânica do Japão. Shintoism visto cada objeto natural - árvores, rochas, cavernas, nascentes, lagos e montanhas -. Como a morada dos espíritos chamados kami kami Esses espíritos foram acreditados para exercer uma poderosa influência sobre os assuntos humanos, enquanto seres humanos, por meio da agência de oração e ritual, foram igualmente capazes de influenciar os espíritos kami. Os espíritos kami foram concentram especialmente nas áreas de montanha e podemos discernir duas categorias principais de montanhas santificados no Shinto.

Uma categoria diz respeito montanhas reverenciado por seu papel em apoiar a existência de pessoas; sendo exemplos montanhas associados à agricultura, caça e pesca. Povos agrícolas primeiros venerado montanhas como os fabricantes de tempo. Nuvens recolhidas sobre os picos e suas chuvas alimentado os córregos ou caíram diretamente sobre as planícies. As divindades das montanhas foram, portanto, pensado para atuar como reguladores do fluxo de águas da vida e supervisionar todo o processo do ciclo agrícola. Agricultores acreditavam que os espíritos da montanha desceu dos picos elevados no início da primavera para proteger e nutrir os campos de arroz e, em seguida, voltou para as montanhas na queda (na verdade, o espírito da montanha, yama no kami, eo espírito do arroz campo, ta no kami, eram intercambiáveis). Alguns dos artefatos mais antigos idade da pedra descobertos por arqueólogos são enormes, pedras brutas no pé de muitas montanhas sagradas. Estas pedras, chamados de iwa-kura, ou pedra, bancos foram altares de rituais onde os aldeões realizadas cerimônias agrícolas para receber e enviar as divindades. Outros picos das montanhas eram venerados por pescadores e marinheiros. Mitos antigos falam de Monte Chokai e Taisen Monte em Honshu e Kyushu Kaimon Monte em como a morada dos deuses, que controlavam a navegação ea segurança dos marítimos.

Uma segunda categoria de montanha sagrada no Xintoísmo início eram aquelas montanhas associados com os espíritos dos mortos. Do início do período de pedra montanhas de idade eram conhecidos como o reino da morte. Cadáveres foram abandonados ou enterrados ao pé de montanhas que pode ser visto a partir do local onde o falecido vivia, e os espíritos dos mortos, acreditava-se reunir nos cumes de montanhas tais. Após a morte da alma, acreditava-se passar por um processo de purificação, durante o qual eles se tornaram espíritos Kami. Esses espíritos ancestrais, que residem em cima e santificando assim as montanhas, tinha o poder de influenciar todas as áreas da vida humana. Enquanto montanhas particulares foram, assim, considerada sagrada pelos xintoísmo, não há nenhuma evidência de que eles foram visitados para fins de peregrinação, nem que todas as estruturas do templo foram construídas em cima deles. As montanhas sagradas eram as moradas privadas dos espíritos e foi o suficiente para os seres humanos para reverenciar os espíritos de longe.

No século VI, começou uma grande importação da cultura chinesa e as idéias religiosas no Japão acompanhado por uma evolução correspondente no uso religioso das montanhas sagradas. Em formas de imitação de budistas bem estabelecida e tradições taoístas na China continental as montanhas sagradas xintoístas passaram a ser utilizados como sites Hermitage para reclusos budistas e os ascetas errantes, e, posteriormente, como destinos de peregrinação para os membros da família imperial e da aristocracia dominante. Assim, além de ser objetos de reverência religiosa, as montanhas sagradas também se tornou arenas de prática religiosa. No início do século IX dois montanha seitas budistas orientados havia sido fundada, a Tendai, centrada em Monte sagrado. Hiei perto da atual Kyoto, e o Shingon, sobre Mt sagrado. Koya na península Kii.

Shingon em particular, fundada pelo sábio Kukai (774-835), ênfase em montanhas sagradas como os locais ideais para a prática religiosa ea realização de Buda. Subidas das montanhas foram concebidos como subidas metafóricas no caminho da iluminação espiritual, com cada etapa na escalada representando um estágio na passagem através dos reinos da existência formuladas pelo budismo. Durante o período Heian (793-1185) templos budistas foram construídos cada vez mais nas laterais e cimeiras de muitas montanhas sagradas xintoístas. Acreditava-se que o kami xintoísta nativa destas montanhas estavam em manifestações realidade de divindades budistas, assim peregrinação para as montanhas foi acreditado para trazer favores, tanto do Xintoísmo e divindades budistas simultaneamente.

Até o meio do período Heian a complexa interação de Sangaku shinko, o xintoísmo eo budismo Shingon tinha dado origem a uma das práticas mais originais e fascinante religiosas encontradas em qualquer lugar do mundo. Esta foi a santificação de enormes regiões, ainda estritamente delimitadas do campo através do processo de mandalização. Mandalas têm várias definições e usos em diferentes contextos budistas. No Budismo Shingon podem ser geralmente explicada como graficamente desenhadas, representações simbólicas da residência do Buda, que é simultaneamente a essência fundamental e da natureza do coração humano mente. Praticantes de Shingon iria utilizar mandalas como ajudas para a meditação. Visualmente entrar na mandala, invocando as divindades lá representados, e segue para o centro, o praticante terá mais um passo no caminho para a realização de Buda. O que é único para a seita do Budismo Shingon foi a sua sobreposição de mandalas em grandes extensões de terra a fim de delimitar um grande esquema de áreas sagradas. O ato de ir em peregrinação para as montanhas sagradas muitos contidos nas mandalas grande terra, particularmente as mandalas Kumano da península Kii, assim, tornou-se um exercício de profunda no despertar espiritual. A santidade da peregrinação e seu poder de transformação estavam disponíveis não só nos locais sagrados individuais próprios, mas também ao longo de todo o caminho mandálico entre os sites.

Concomitante com e contribuindo para este desenvolvimento do espaço sagrado regional foi o surgimento de um movimento religioso de ascetas montanha conhecida como Shugêndo. A mistura de tradições pré-budistas populares de Sangaku shinko e Xintoísmo, Budismo Tântrico, e Yin-yang chinês magia e do taoísmo, Shugêndo pode ser aproximadamente definida como a forma "de dominar poderes mágico-ascéticas por retiro para e prática dentro das montanhas sagradas '. Shugêndo praticantes eram chamados de Yamabushi, um termo que significa "o que se deita ou dorme nas montanhas" ea seita incluídos vários tipos de ascetas, como monges não oficiais, vagando homens santos, guias de peregrinação, músicos cegos, exorcistas, eremitas e curandeiros.

Um estudioso de Shugêndo, H. Byron Earhart, explica que "Nos estágios iniciais do desenvolvimento de Shugêndo o yamabushi geralmente eram mendigos solteiras que passaram a maior parte de seu tempo na prática religiosa dentro das montanhas, em períodos posteriores mais yamabushi casado e quer tinham casas de seus templos ao pé de montanhas sagradas ou fez viagens periódicas de peregrinação religiosa e retiro ascético para as montanhas ..... Quando o yamabushi desceu as montanhas, eles visitaram seus "paroquianos" para administrar as bênçãos da montanha ou realizar serviços especiais de cura e exorcismo. yamabushi A eram adeptos de várias purificações, fórmulas e encantos. O objetivo religioso da Shugêndo era tão diversificada quanto a sua organização, técnica e procedimento. Em geral, atingiu a utilização do poder religioso para todos os imagináveis necessidade humana ". Por causa de sua organização frouxa, a sua falta de doutrina textual, e seu apelo às pessoas simples, gente analfabeta do campo, Shugêndo tornou-se um movimento popular em todo o Japão a partir do século XII para o tempo da restauração Meiji em 1868. De acordo com um estudo, mais de 90% dos santuários aldeia no Japão meados de norte e nordeste foram servidos por sacerdotes Shugêndo.

A prática de peregrinação para as montanhas sagradas era muito estimulado por estes dois fatores: a mandalização Shingon de espaço sagrado e da tradição Shugêndo de utilizar as montanhas sagradas como campos de treinamento para o desenvolvimento espiritual. Já não eram a nobreza ea aristocracia, os eremitas ascéticos e os monges budistas as únicas pessoas que iam em cima peregrinação. Por volta do século XII, camponeses e comerciantes também começou a viajar por todo o campo para as montanhas sagradas. Como o hábito de peregrinação desenvolveu assim também fez a rede de santuários ao redor do país. Além dos grandes agrupamentos mandálico de templos nas montanhas sagradas da região Kumano, peregrinação tradições outras surgiram ao longo dos séculos de Kamakura, Muromachi, e períodos de Tokugawa. Em geral, estas tradições eram de dois tipos. Um tipo eram peregrinações com base na fé em carismáticos pessoas santas, como a viagem de 970 milhas para as 88 santuários de Kobo Daishi, na ilha de Shikoku (Kobo Daishi é o título póstumo de Kukai, fundador do Budismo Shingon). Outro tipo eram peregrinações a locais conhecidos por sua associação com divindades budistas particulares, como a viagem milha 1500 para os 33 santuários da Kannon Bodhisattva (Avalokiteshvara), na ilha de Honshu. Durante o período Tokugawa (1603-1867) estes santuários, chamados coletivamente de peregrinação Saikoku, atraiu grande número de pessoas por causa da crença de que Kannon tinha assumido corpos em cada um dos locais para ajudar os seres sencientes com 33 tipos específicos de sofrimentos.

Além disso, a partir do século XII, confrarias devocionais muitos foram fundadas que promoveu activamente a prática da peregrinação. Para este dia, estas confrarias ainda organizar e realizar peregrinações em grupo para as montanhas sagradas. Peregrinação e as montanhas sagradas, assim, sido fatores integrais na evolução da cultura japonesa e religião. Seja em dar graças por chuvas ou colheitas abundantes, buscando a ajuda de espíritos Kami ou as bênçãos de divindades budistas, os japoneses sempre reconheceram a sabedoria de desapegar-se de âmbito social que periodicamente se reconectar com os lugares sagrados de paz e poder. (Leitores interessados ​​em estudar peregrinação tradições japonesas e lugares sagrados em mais detalhes são referidos os escritos de Earhart, Davis, Foard, Grapard, Hori, Statler, Swanson, Reader e Tanaka listados na bibliografia)


Monte Fuji, ou Fuji San, é frequentemente - e erradamente - o chamado montanha mais sagrada no Japão. Enquanto não há tal coisa como uma montanha "mais sagrada" no Japão (ou do mundo para que o assunto), Fuji tornou-se famoso como um símbolo nacional, pois é o pico mais alto do país em 12.388 pés, é um dos cones vulcão mais perfeitas de existência, e é visível (em raros dias claros), da cidade de Tóquio, apenas 60 quilômetros de distância.

Muito mais jovem do que a maioria dos japoneses montanhas, Fuji começou a subir apenas 25.000 anos atrás, e tinha assumido sua forma geral, de 8000 aC. Situado em uma região densamente povoada da idade da pedra e freqüentemente ativo desde a sua última erupção em 1707, a montanha adquiriu uma antiga e enorme corpus de mitos sobre suas origens divinas, divindades residentes, e poderes espirituais. O pico de aumento foi venerada como a casa de um deus do fogo, mais tarde, a morada de uma deusa xintoísta de árvores fluindo, e desde os tempos budistas, a morada de Dainichi Nyorai, o Buda da  Sabedoria. De acordo com mitos primitivos Shugêndo a montanha foi escalada pela primeira vez pelo assistente-sagem En não gyõja em torno de 700 dC, mas é mais provável que as primeiras ascensões começou nos séculos 12 ou 13. A partir do século 15 Fuji tornou-se um destino de peregrinação popular. As mulheres não tinham permissão para escalar a montanha até o tempo da restauração Meiji (1868), mas hoje quase a metade dos 400 mil alpinistas por ano são mulheres. Enquanto a montanha é escalado durante todo o ano, o "oficial da temporada de escalada 'é de 1 Julho a 31 de agosto. Durante esse tempo, os turistas e caminhantes de fim de semana a partir de Tóquio superam em muito os peregrinos e as trilhas de montanha são, infelizmente, cheia de lixo. Seja qual for o tempo ou o aparecimento do pico no entanto, para escalar esta montanha sagrada os passos de milhões de peregrinos anteriormente, é de tocar em um campo de grande devoção e santidade.


Acadêmicos debatem a gênese do nome da montanha. Dois argumentos mais freqüentemente ouvido são de que o nome deriva da Fuji (1) a linguagem do povo Ainu xamânicas do norte Hokkaido ilha, e significa mulher velha de divindade do fogo, e (2) é uma interpretação mais recente japonês, que data do Heian era de 9-século 10, ou seja, nunca morrerá. Do ponto de vista Ainu, huchi significa um "velho, mas divindade, mulher". Ela é muitas vezes referido no contexto da deusa do fogo. Mas, não há significado direto de fogo em fuji ou huchi. Huchi A palavra muitas vezes aparece como macaco huchi Kamuy (fogo-mulher-deus). O significado comumente usado de "vida eterna" é uma interpretação pela língua japonesa. Ambos sílabas fu e shi vêm de pronúncia kanji chinês, que significa "não, nunca" e "morrer, a morte", respectivamente. Por isso, fu-shi pode significar nunca morrer ou não a morte ". Fu-shi não é uma palavra japonesa original. É uma palavra emprestada do chinês. Se se aceita que o som existia antes letras, o som fu-shi não existia no original japonês, mas foi emprestado junto com os caracteres kanji.

fonte: http://sacredsites.com/asia/japan/introdution_sacred_japan.html

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Simbolos : Tomoe, as vírgulas dinâmicas



O tomoe é um desenho de vírgula ou turbulência em forma de uma variedade de origens possíveis. Assemelha-se a antigos japoneses jóias curvas (como a jóia que serve como um dos três imperial japonesa regalia). Outras possíveis origens associá-lo com um guarda de pulso, usada por arqueiros, a cobra chinesa representações e o símbolo ying-yang. Embora datando do período Nara (710-794), que só se tornou amplamente utilizada no século X ou XI, mas nesse ponto, tornou-se imensamente popular, tornando-se o motivo segundo mais popular para seg família pelo início do Edo período (1600). Seja qual for a sua origem, desenvolveu significados adicionais: sua semelhança com uma banheira de hidromassagem causou a ser usado para proteger os edifícios de vazamentos, e mais tarde desenvolveu gerais conotação religiosa, o mais comum tem três chamas (triplo, ou 'mitsu' tomoe), mas um, dois, ou quatro não são incomuns. A mitsu tomoe reflete a divisão tríplice do shintoísmo cosmologia, e é dito para representar a terra, os céus, ea humanidade. e tornou-se especificamente associado com Hachiman, Kami da guerra.




Um Tsuba com Mitsu tomoe 



quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Os Deuses da Arte da Espada Japonesa


A arte da espada japonesa sofreu influências de inúmeras culturais, filosofias e religiões.  Assim, ao longo do tempo, inúmeros deuses foram reverenciados por seus praticantes.
Vamos cita três deuses inicialmente :

• Take-Mikazuchi-no-Kami
• Futsu-Nushi-no-Kami
• Marishiten

Nestes deuses reverenciados foram escolhidos por aparecerem com certa frequência em inúmeros escritos e tradições da arte da espada.
Além disso, os documentos de estilos das artes marciaisjaponesas como diplomas de graduação, não raro citam divindades para explicar as origens do estilo, seus ensinamentos ou até mesmo garantir que o praticante não divulgue de maneira leviana o conteúdo do estilo.

Estátua do Take-Mikazuchi-no-Kami no Santuário de Kashima

 Tori (portal) no Santuário de Kashima


• Take-Mikazuchi-no-Kami :
Dentro das tradições shintoístas, Take-Mikazuchi-no-Kami ocupa uma posição de suma importância para artes marciais.
Também chamado Take-Mikazuchi-o-no-Kami, Takefutsu-no-Kami ou Toyofutsu-no-Kami, ele é um dos três deuses nascidos das gotas de sangue da espada Ame-no-Ohabari. Esse sangue foi derramado quando o deus Izanigi-no-Mikoto, um dos criadores do Japão, decapitou seu filho Kaguzuchi, o deus do fogo.
De acordo com as lendas, Take-Mikazuchi-no-Kami participou da pacificação do país de Ashihara-no-Nakatsu, em um embate entre os deuses do céu (Amatsu-Kami) e os deuses da terra (Kunitsu-Kami). Nesse confronto, ele cravou uma espada no chão, com ponta para cima, e se sentou  sobre ela sem se ferir, em uma demostração que sua provava a sua invulnerabilidade  as armas e, portanto, seu poder enquanto divindade marcial. Por isso, ele foi considerado deus das artes marciais, do exército, da espada e do arco e flecha, sendo venerado no santuário de Kashima, na província de Ibaraki. Ainda hoje, muitos locais de treino penduram o nome  do santuário de Kashima para simbolizar a sua ligação com artes marciais.
É interessante destacar a composição do seu nome , Take indica “marcialidade”, ao mesmo tempo em que é relacionado com “criação”, “construção”. Mikazuchi significa “relâmpago”, simbolizando a velocidade fulminante e o forte ímpeto dos ataques. Por fim Kami significa “deus”.
Importante notar que, dentro das Três Joias Divinas do Japão ( a espada, o espelho e a joia), a espada é a única que possui o poder de criação.


 Santuário de Katori.


• Futsu-Nushi-no-Kami:
Juntamente com Take-Mikazuchi-no-Kami, Futsu-Nushi-no-Kami também possui uma forte ligação com a artes marciais.
Conhecido também com Iwai-Nushi-no-Kami, ele aparece apenas no escrito Nihon Shoki, sendo o filho de dois deuses nascidos das gotas de sangue da espada Ame-no Ohabari.
Futsu, em japonês, representa o som que denota a facilidade com que uma espada corta o alvo, simbolizando assim o poder da arma, extremamente afiada e cortante.
Assim com Take-Mikazuchi-no-Kami, Futsu-Nushi-no-Kami também participou da pacificação de Ashihara-no-Nakatsu, e algumas fontes consideram que os dois são na realidade uma única entidade.
Este divindade é cultuada no santuário de Katori, na província de Chiba. Muitos locais de treino também penduram o nome do santuário de Katori, da mesma forma que o santuário de Kashima.
Os dois deuses e respectivos santuários ocupam um lugar extremamente importante nas tradições da arte da espada japonesa.

 Um fato interessante que aconteceu no passado por volta de 1447 D.C. que um dos discípulos do Fundador Katori Shinto ryu foi lavar um cavalo numa nascente chamada Fonte Divina ou Fonte do Deus, perto do Santuário Katori. Pouco tempo depois, o cavalo começou a sofrer de dores e morreu.
Para Choisai sensei, esse acontecimento foi uma revelação do poder divino da divindade xintoísta adorada no Santuário Katori, divindade chamada de Futsunushi-no-Kami. A morte do cavalo deu-lhe uma espécie de intuição espiritual do poder da divindade. Por isso, ele decidiu passar mil dias em adoração no Santuário Katori. Nesse período, dedicou-se a austeras práticas de purificação e estabeleceu para si um cronograma rigoroso de treinamento marcial.
Ao final desse período de penitência e treinamento, ele estabeleceu os ensinamentos que constituem a Katori Shinto Ryu.
Choisai Sensei acreditava que havia descoberto os ensinamentos diretos e verdadeiros do deus Futsunushi-no-Kami, adorado no Santuário Katori, e por isso antepôs ao nome Katori Shinto Ryu a expressão tenshin shoden, que significa “tradição celeste”. Isso nos dá o nome completo da tradição, ‘Tenshin Shoden Katori Shinto Ryu’, que significa ‘a tradição marcial que é o caminho dos deuses’. Como a palavra ‘Shinto’, que significa ‘o caminho dos deuses’, significa o caminho verdadeiro e correto que os homens devem seguir, à semelhança de todas as tradições xintoístas que nos foram transmitidas desde os tempos antigos, está implícita nela a idéia de um caminho que as pessoas devem trilhar com um coração sincero. Ao que parece, foi assim que Choisai Sensei entendeu esse conceito e usou-o em sua tradição marcial.”



 Estátua da deusa Marishiten.



• Marishiten:
Chamada de Marici em sânscrito, ela é considerada a deusa do alvorecer, ao mesmo tempo em que é a deificação da miragem, da coroa solar ou raios do sol.
No Mikkyô, o budismo escotérico, o Buda que representa o Sol é Mahavairocana  (Dainichi Nyorai). A deusa Marishiten tem função levar a luz do Buda para a terra, por issso ela é vista como uma entidade (Bodhisattva) que salva as pessoas em nome de Buda, sendo chamada de Marishiten Bosatsu.
Além disso, como a luminosidade do sol é muito grande, se diz que não é possível ver a deusa. Ou seja, também é considerada uma deusa invisível que vela pelos homens.
No Japão, esta deusa foi introduzida na Era Heian e foi adorada pelos guerreiros, sendo a deusa para quem oravam pela vitória. Marishiten foi escolhida por ser representação da miragem, aquela que não pode ser atingida. Assim, uma deusa invisível que protegia as pessoas contra os ataques dos inimigos era uma divindade perfeita para reverenciada pelos guerreiros.
Muitos estilos prestavam homenagem  a essa deusa. Ainda hoje, há estilos que recitam palavras dedicadas a ela antes de iniciarem o treinamento.

Fonte: Peregrinos do Sol, Arte da espada Samurai