sexta-feira, 21 de março de 2025

TANTO FEITO NO BRASIL


No mundo da espada Japonesa. 

 Trinta e quatro anos depois, uma outra peça rara e interessante aparece... 

 Por Laerte E. Ottaiano expert e polidor de espadas japonesas (Nippon-tô). 


    Como é fato conhecido publiquei no ano de 1989 no nº 39 da revista Bijutsu Token (edição em inglês) da NBTHK do Japão um artigo intitulado “A força da tradição” uma descoberta curiosa na terra “do outro lado do mundo”, relatando haver encontrado em São Paulo uma espada japonesa assinada “Kikuchi Enju Tatsukuni” que como fiquei sabendo pelo proprietário, havia sido produzida no Brasil em 1946. Como não houve mais contato com o colecionador, não se sabe mais nem onde ou com quem se encontra esta peça. 


    Muito bem, agora mais uma vez, algo aconteceu. Poucos dias antes do natal de 2009, fui visitado por um velho conhecido, o cuteleiro Roberto Gaeta, para quem tenho prestado alguns serviços de polimento de lâminas. Nesse dia encomendou mais um trabalho: apresentou-me um “tanto” montado em “shirassaya” de pinho brasileiro e pediu-me para tratar a lâmina e produzir uma montagem digna. Ao abrir para ver o tipo de lâmina que eu deveria tratar, encontrei uma lâmina correta (hirazukuri) com sulco em um dos lados (frente).Vide fotos. Havia sido passada em politriz de roda de pano, portanto não estava enferrujada. Como sabemos a politriz traz um brilho excessivo e esconde características como textura de superfície e linha de têmpera. Tal como pude observar era possível fazer o polimento tradicional correto. Fui informado sobre uma linha ou desenho de têmpera, olhando com mais atenção e com melhor ângulo de luz, foi possível vislumbrar este detalhe. 

     A seguir, abrimos a empunhadura para examinar o “nakagô”. Para a minha surpresa, havia em bela caligrafia, uma assinatura com dois caracteres lendo-se “Sukemune” e do outro lado do “nakagô” uma data em numerais japoneses (com outro tipo de caligrafia) lendo-se “1976 ano”. O “yassuri-me” (marcas de lima) e a cor não são exatamente regulares más plenamente justificáveis em função da época e do autor. O proprietário desconhecia o nome Sukemune más conheceu, porém o finado e caro Srº Yoshisuke Oura que viveu na área de Moji-Suzano e foi conhecido “Espadeiro” produzindo kataná para treinamento de Iai e Kendô, especialmente para a colônia japonesa durante quase três décadas: de 1948 (a sua primeira espada) até 1980 a última espada. 


    Oura sensei havia adotado o nome artístico de Sukemune baseado num dos grandes espadeiros do Japão da província de “Bizen” da era “Heian Kamakura” e produzia suas espadas com a forma de curvatura de “Bizen” (koshizôri) e têmpera ao mesmo estilo conhecido como“gunomê-notarê. O aço utilizado era brasileiro ou sueco em barras, com teor de carbono 1045. A têmpera mesmo sendo clara e visível, era produzida com temperaturas mais baixas que aquelas no Japão, produzindo assim menor diferença de dureza entre a área temperada e não temperada. Oura sensei produzia também montagens dentro de âmbito de suas habilidades pessoais. 

    Nessa época Oura sensei era o único com capacidade de polidor, tinha todas as pedras necessárias, materiais de acabamento e a técnica. Eu era um dos seus clientes de polimento para espadas que trazia do exterior. 

    Em 1970 o sensei sofreu um acidente e precisou de um longo período de recuperação. Em 1972 quando lhe fiz uma visita de cortesia, Oura sensei declarou que não poderia mais prestar serviços, pois se encontrava muito debilitado. 

    Nessa ocasião argumentei sobre a minha necessidade de prosseguir com minha coleção e, portanto ter as lâminas polidas, surgindo nesse momento a idéia de aprender com ele a arte do polimento, com o que Oura sensei concordou sorrindo. Três anos se passaram, recebi lições e instruções preciosas no seu atelier em Suzano. 

 No final de 1975 recebi do Japão, um conjunto de pedras, materiais e instrumentos de acabamento, podendo daí por diante prosseguir praticando no meu próprio local de trabalho. Desde então e até hoje, pratico a arte do polimento e posso dizer com orgulho que meu trabalho pode ser igualado a qualquer outro profissional do Japão na modalidade chamada “Sashikomi”. 

 Agora na passagem do ano de 2009 para 2010, aparecendo como que por encanto, este “tanto” aliás, o primeiro e único que eu havia jamais visto assinado e datado de 1976, vem ás minhas mãos para ser “salvo”, o que faço com a maior satisfação e orgulho. Vale também dizer que “tanto” de mestre Oura são raros, pois que dizia ele, “podiam ser usados como armas, enquanto que as “kataná” não eram carregadas por aí à toa...” 

 Concluindo, além dos fatos usuais do dia a dia relativos ao nosso prazer e à nossa paixão pelas Nihon-tô, um fato como este deve ficar registrado, uma vez que traz o inesperado, e a peça de caráter único, que provavelmente, não mais se repetirá. Este é também um bom motivo para rever velhas lembranças e agradecer ao espírito do caro Oura sensei.

Laerte E. Ottaiano.
 Fevereiro de 2010.
 São Paulo SP. Brasil




Apêndice Dados do tantô 

 Montagem Originalmente “shirassaya”.

 Atual: “aikuchi koshirae”, em laca preta por Laerte E. Ottaiano. 

 Lâmina Medidas - Comprimento: 21cm; largura base: 2.2 cm. 

 Material - aço 1045.

 Forma: “hirazukuri” (um plano de superfície), yorimune (dorso em v invertido). 

 Gravação (horimono) – “bo hi” (sulco na face da frente). 

 Particularidade – “niku tsuki” (superfície cheia) e “fukura tsuki” (ponta cheia).

 Curvatura: ligeira sakizori (na ponta).

 Pele (hada): muji -sem padrão.

 Têmpera (hamon): gunomê midarê Têmpera na ponta (boshi) quase sem volta. 

 Nakagô Forma: futsu (comum). 

 Yassurime (marcas de lima) kate sagari (irregular). 

 Furo (mekugi-ana) 01.

 Terminal: assai kurijiri. 

 Mei (assinatura): Sukemune (frente). 

 Data 1976 ano (atrás). 













quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Shimenawa 注連縄

 Lugares sagrados são tipicamente marcados com um shimenawa (corda trançada especial) e shime (tiras de papel branco). Colocado nas entradas de lugares sagrados para afastar espíritos malignos, ou colocado ao redor de árvores/objetos para indicar a presença de kami. Feita de palha de arroz ou cânhamo, a corda é chamada nawa 縄. Os pedaços de papel branco que são cortados em tiras e pendurados nessas cordas (frequentemente pendurados em cordas em portões Torii também) são chamados shime 注連 ou gohei ; eles simbolizam a pureza na fé Shintō.



Comerciantes e empresas, assim como indivíduos privados, frequentemente penduram o shimenawa em suas portas da frente em épocas especiais do ano. Também é comum ver o Tamagushi 玉ぐし, um raminho de Cleyera orchnacca com tiras de papel branco anexadas (chamadas de "shide") usado por sacerdotes Shintō em cerimônias.


  A origem do shimenawa pode ser explicada por duas lendas: 

1- A deusa do sol Amaterasu escondeu-se numa caverna após uma briga com o seu irmão Susanoo, mergulhando o mundo na escuridão. Para a convencer a sair, os outros deuses penduraram uma corda sagrada chamada ama-no-nuboko à entrada da caverna, simbolizando o seu fecho.

2- O kami Susanoo instruiu as pessoas a pendurarem cordas ao longo das estradas para afastar a doença.



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Santuario xintoísta

 Se você vir uma obra de arquitetura sagrada de antes da Era Meiji (1868-1912) que se eleva em uma escala monumental, é provável que seja budista. A arquitetura xintoísta geralmente é "pé no chão", misturando-se em vez de entrar em conflito com o cenário natural. Os santuários são geralmente complexos autônomos, mas os santuários também podem ser encontrados dentro de templos budistas. Os telhados xintoístas geralmente são pontiagudos, e quase tudo é pintado de vermelho (mas nem sempre). A presença de um torii (portão), dois guardiões shishi (leão-cão), shimenawa (cordas com papel branco) e a ausência de um cemitério são todos sinais reveladores de santuários xintoístas. Os templos budistas, no entanto, são geralmente mais ornamentados, mostrando fortes influências da China. Os templos geralmente contêm um cemitério.


O teto acima da fonte de purificação no Santuário Tsurugaoka Hachimangū em Kamakura Shishi (leões) de madeira emprestam beleza às estruturas xintoístas e budistas. Shishi são comumente colocados sob os beirados de estruturas religiosas para afastar espíritos malignos. Às vezes, os shishi são acompanhados por outras divindades protetoras, como a criatura parecida com um elefante acima ( baku 獏, conhecida como devoradora de pesadelos na mitologia japonesa). Imagens do dragão também são encontradas frequentemente como elementos arquitetônicos (kibana 木鼻 - extremidades de vigas decoradas) em templos, menos em santuários. BAKU 獏, uma criatura mitológica chinesa que se acredita devora (ou seja, previne) pesadelos, às vezes é escrita na vela do Barco do Tesouro dos Sete Deuses da Sorte do Japão .

 “O animal parecido com um elefante frequentemente associado ao shishi, e usado como o shishi como decoração arquitetônica (kibana - extremidades de vigas decoradas), são provavelmente os baku, conhecidos como devoradores de pesadelos na mitologia japonesa. Eles são um animal composto, eu acho que exclusivo do Japão, e são frequentemente retratados em netsuke. Na verdade, provavelmente as melhores referências e exemplos em inglês podem ser encontrados em livros sobre netsuke. Eu também vi desenhos da escola Kano (ou influenciados pela mesma) com baku e shishi, e sei de uma impressão ukiyoe (xilogravura) mostrando um baku em uma colcha (apropriadamente). O santuário Tokugawa em Nikko é carregado com dragões, baku e shishi.”



Arquitetura do Santuário

 "Você pode dizer se a divindade abrigada no santuário é masculina ou feminina olhando para o teto do santuário. Em alguns santuários (mas não em todos), você pode encontrar tábuas transversais em forma de chifre no teto. Se as extremidades das tábuas forem cortadas de modo que as bordas planas fiquem voltadas para cima, então a divindade é geralmente feminina. No entanto, se as tábuas forem cortadas de modo que as bordas planas fiquem voltadas para os lados, a divindade é geralmente masculina." 


Texto abaixo cortesia de Termos Básicos de Shintō (Universidade Kokugakuin)

As vigas cruzadas que se estendem para cima de ambas as extremidades dos frontões do telhado na arquitetura Shintō são chamadas de Chigi千木. As seções curtas em forma de tronco dispostas horizontalmente no telhado em ângulos retos com a cumeeira são chamadas de Katsuogi堅魚木. Ambas datam de tempos antigos. Chigi são normalmente encontrados em todos os Honden , exceto no estilo Gongen (uma exceção notável sendo Nikko Toshogū). Em Ise Jingū, eles são encontrados em todas as estruturas. 


quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Purificação: Água e Lavagem das Mãos

A purificação é um elemento essencial no Shintō. Os elementos do Shintō que fornecem purificação são água, sal, fogo, areia e saquê (álcool). Antes de rezar para a divindade Shintō , os adoradores e visitantes casuais são convidados a se purificar ( Harai 祓い) da impureza. O ato de limpar ou exorcizar a impureza é chamado Misogi 禊 ou Misogi Harai 禊祓い, e a lavagem real das mãos com água é chamada Temizu 手水. Um termo associado é Imi 忌, que significa "abstenção de contaminação". A maioria dos grandes santuários tem uma bacia de pedra onde os adoradores e visitantes casuais enxáguam a boca e as mãos antes de se aproximarem da divindade (a maioria das pessoas não enxágua mais a boca). Primeiro a mão esquerda e depois a direita são enxaguadas com água na fonte de purificação, então a boca é enxaguada com água da mão esquerda.




Fonte da Purificação Às vezes, no complexo do santuário, haverá uma fogueira queimando, e as pessoas soprarão a fumaça sobre suas cabeças (supostamente para capturar as bênçãos da divindade ou queimar impurezas). Alguns japoneses ainda praticam a antiga tradição de aspergir água no portão de suas casas pela manhã e à noite para purificar o ambiente familiar. Além disso, cerimônias de purificação precedem o início de todos os eventos e funções importantes no Japão. Quando um novo edifício ou casa deve ser construído, uma cerimônia de inauguração chamada Jichinsai 地鎮祭 é realizada para pacificar o kami 神 da terra (divindade Shintō) e purificar o local onde a construção ocorrerá. Novos aviões são purificados antes de seu voo inaugural. Novos proprietários de carros levam seus veículos para santuários para serem purificados (para serem lavados e receberem orações).



Hono = Oferenda Votiva Dois caracteres japoneses são frequentemente escritos na pia de pedra e em outros lugares do santuário. O termo é Hōnō 奉納, que significa oferenda votiva (doação). Normalmente está escrito na fonte de purificação (bacia de pedra) e na caixa de oferendas. 
Hōnō 奉納 ou Hōnōbutsu 奉納物 = Oferenda Votiva.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Espíritos Ancestrais.



O Shintō afirma que todas as pessoas são dotadas de uma alma ou espírito (tama 霊, reikon 霊魂), e após a morte, essas almas podem ou não encontrar paz. Aqueles que morrem felizes entre sua família tornam-se ancestrais reverenciados. Os espíritos ancestrais protegem a família, e todo verão eles são bem-vindos de volta à casa da família durante o festival Obon お盆 do Japão.

 Aqueles que morrem infelizes, ou violentamente, ou sem uma família para cuidar de seu espírito falecido, ou sem os ritos funerários e pós-funerais corretos, tornam-se fantasmas que vagam por aí causando problemas; eles são normalmente chamados de yūrei幽霊 (fantasmas atormentados), e devem ser apaziguados. Este conceito é semelhante a "fantasmas famintos" na filosofia budista - o segundo estado mais baixo nos Seis Reinos da Existência . Curiosamente, no Japão, funerais e cemitérios são administrados inteiramente pelos templos budistas, não pelos santuários.


Seis Reinos da Existência

Entre os budistas, todos os seres vivos nascem em um dos seis estados de existência (Samsara em sânscrito, o ciclo da vida e da morte). Todos estão presos nessa roda da vida , como os tibetanos a chamam. Todos os seres dentro dos seis reinos estão condenados à morte e ao renascimento em um ciclo recorrente ao longo de incontáveis ​​eras — a menos que consigam se libertar do desejo e atingir a iluminação. Além disso, após a morte, todos os seres renascem em um reino inferior ou superior, dependendo de suas ações enquanto ainda estão vivos. Isso envolve o conceito de Karma e Retribuição Kármica . Os três estados mais baixos são chamados de três caminhos malignos, ou três estados ruins. As grafias japonesas de todos os seis, além de breves descrições, são mostradas abaixo:

Seres no Inferno. 
Jigokudō 地獄道 em japonês.
O reino mais baixo e pior, devastado pela tortura e caracterizado pela agressão. 

Fantasma Faminto 
Gakidō 餓鬼道 em japonês.

O reino dos espíritos famintos; caracterizado por grande desejo e fome eterna; 

Animais.  
Chikushōdō 畜生道 em japonês.
O reino dos animais e do gado, caracterizado pela estupidez e servidão. 

Asura .
Ashuradō 阿修羅道 em japonês.
O reino da raiva, ciúme e guerra constante; os Asura (Ashura) são semideuses, seres semi-abençoados; eles são poderosos, ferozes e briguentos; como os humanos, eles são em parte bons e em parte maus. 

Humanos.
Nindō 人道 em japonês.
O reino humano; seres que são bons e maus;
a iluminação está ao seu alcance, mas a maioria está cega e consumida por seus desejos. 

Deva . 
Tendō 天道 em japonês. O reino dos seres celestiais cheios de prazer; os devas detêm poderes divinos; alguns reinam sobre reinos celestiais; a maioria vive em felicidade e esplendor deliciosos; eles vivem por eras incontáveis, mas mesmo os Devas pertencem ao mundo do sofrimento (samsara) — pois seus poderes os cegam para o mundo do sofrimento e os enchem de orgulho — e assim mesmo os Devas envelhecem e morrem; alguns dizem que, como seu prazer é maior, sua miséria também é. 



quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

MISTURA DAS TRADIÇÕES SHINTŌ E BUDISTAS




 Por volta do século VII, a corte japonesa aceitou agressivamente o budismo, não apenas como um veículo religioso que prometia salvação para as classes altas, mas também como um instrumento para consolidar o poder do estado. Por volta do século VIII, as tradições xintoístas começaram a imitar e se misturar com as influências budistas. O sincretismo xintoísta-budista do período foi realmente formalizado e perseguido com base em uma teoria chamada honji suijaku本地垂迹. O processo de mistura do budismo com o xintoísta progrediu ininterruptamente e, no Período Heian (794-1185), as divindades xintoístas passaram, entre algumas seitas xintoístas, a ser reconhecidas como encarnações de divindades budistas. Um exemplo notável é um movimento sincrético que combinou o xintoísta com os ensinamentos do budismo Shingon (esotérico). Esta escola acreditava que as divindades xintoístas eram manifestações (vestígios) das divindades budistas. A deusa do sol xintoísta Amaterasu , por exemplo, foi identificada com Dainichi Nyorai (o Grande Buda do Sol).


Outro grande centro de fusão xintoísta/budista foi o sincrético templo-santuário Tendai multiplex localizado no Monte Hiei (Prefeitura de Shiga, perto de Kyoto), que ganhou destaque na mesma época que o budismo esotérico Shingon. No século IX, templos budistas foram construídos ao lado de santuários xintoístas em muitas montanhas sagradas , simbolizados pelo poderoso multiplex Tendai no Monte Hiei e pelos lugares sagrados em toda a cordilheira Kumano. Os kami (divindades) nativos xintoístas que residiam nesses picos eram considerados manifestações de divindades budistas, e acreditava-se que peregrinações a esses locais traziam duplo favor de suas contrapartes xintoístas e budistas. Outro grande centro de sincretismo foi o santuário Kasuga em Nara. O número de divindades proliferou. Apesar da resistência anterior, o sincretismo foi relativamente suave e marcado pela tolerância religiosa.


NOTA: O multiplex santuário-templo Tendai no Monte Hiei é um excelente exemplo da fusão sincrética de divindades budistas e xintoístas no Japão. A ideia de KAMI como Gohōjin護法神(divindades guardiãs da doutrina budista) era um elemento comum no período Heian. Este sincretismo xintoísta-budista foi na verdade formalizado e perseguido com base em uma teoria chamada Honji Suijaku 本地垂迹, com as divindades budistas consideradas como honji (manifestação original) e os kami xintoístas como seus suijaku (encarnações). Outro termo semelhante que denota a associação entre Buda e Kami é Shinbutsu Sh ū gō神仏習合. Além disso, um recurso identifica o "honji" de Sannō (Rei da Montanha) como Ichiji Kinrin Butchō (o Buda central da "Corte dos Aperfeiçoados" (Jp. Soshitujibu). No final do século XII, o complexo santuário-templo do Monte Hiei formou um complexo honji suijaku 本地垂迹 bem desenvolvido, ou fusão sincrética de práticas e divindades budistas e xintoístas

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Amaterasu Ōmikami Amaterasu , a Deusa do Sol


Aka Taiyōsama Amaterasu Deusa do Sol, Rainha de Kami, Ela que Ilumina os Céus, a Divindade Shintō Suprema Também escrita Ōmikami, Omikami, Oumikami, O-mikami, O-mikami é o. filho de Izanagi Izanagi no Mikoto e Izanami Izanami no Mikoto (deuses criadores da mitologia japonesa). A família imperial do Japão reivindica descendência direta de sua linhagem. A bandeira da nação simboliza o sol, e o nome do país (Nihon 日本) pode ser traduzido como “Terra da Ascensão”. Sun.” Os santuários associados à família imperial são chamados de Jingū – o mais prestigiado é chamado de Ise Jingū (Prefeitura de Mie) e é dedicado a Amaterasu. é supostamente demolido a cada 20 anos e reconstruído em sua forma original. Os numerosos Shintō kami do Japão aparecem no documento existente mais antigo do Japão, o Kojiki KOjiki (Registros de Assuntos Antigos; 712 DC), e também no Nihongi NIHONKI (Crônicas do Japão; 797). AD). No Budismo Esotérico , Amaterasu é considerado a contraparte do Buda Dainichi . Mythica ... “Ela era tão brilhante e radiante que seus pais a enviaram pela Escada Celestial para o céu, onde ela governou desde então. Quando seu irmão, o deus da tempestade Susano-o no Mikoto, devastou a terra, ela se retirou para uma caverna. porque ele era muito barulhento. Mais tarde, ela fechou a caverna com uma grande pedra. Seu desaparecimento privou o mundo de luz e vida, o que resultou em demônios governando a terra. usaram tudo ao seu alcance para atraí-la, mas sem sucesso Finalmente Uzume (também conhecido como Ame no Uzume Tenyu Ukeume no Mikoto ou Tendenme no Mikoto) conseguiu trazê-la para fora dançando na frente da caverna. eles assistiram às danças cômicas e obscenas de Uzume, despertando a curiosidade de Amaterasu. Quando ela saiu de sua caverna, um raio de luz escapou (amanhecer). A deusa então viu seu próprio reflexo brilhante em um espelho que Uzume. havia pendurado em uma árvore próxima com lindas joias. Quando ela se aproximou para ver melhor, os deuses a agarraram e a puxaram para fora da caverna. Ela voltou para o céu e trouxe a luz de volta ao mundo. cultivou os campos de arroz do Japão. Ela também inventou a arte de tecer com o tear e ensinou as pessoas a cultivar trigo e bichos-da-seda. Muitos santuários xintoístas contêm um espelho sagrado , considerado o espelho no qual Amaterasu viu seu reflexo. A honra acontece no dia 17 de julho de cada ano. Ela também é homenageada no dia 21 de dezembro, o solstício de inverno, para indicar seu papel em trazer a luz de volta ao mundo.”  



Imperador Akihito (reinado iniciado em 1989), 125º imperador, foto cortesia da Agência da Casa Imperial Amaterasu e a Família Imperial.


O Imperador Akihito 明仁 (o atual imperador) é considerado o 125º descendente direto do Imperador Jinmu 神武, o lendário primeiro imperador do Japão e um descendente mítico de Amaterasu. Diz Kondo Takahiro : “ Embora não seja frequentemente mencionado hoje em dia, o calendário japonês começa em 660 a.C., o ano de sua lendária ascensão. Os imperadores reinantes eram considerados descendentes diretos da Deusa do Sol Amaterasu e reverenciados como deuses vivos em um momento ou outro. Quando a Guerra do Pacífico era iminente em 1940, o governo fascista estava se gabando de que era o ano de 2600 para exaltar o prestígio nacional, e até fez uma música celebrando o 2600º ano.”





Hinomaru - Bandeira nacional do Japão





As imagens do sol ainda são muito proeminentes no Japão moderno. A bandeira nacional do Japão, a Hinomaru日の丸 (literalmente círculo do sol; também conhecida como Nisshōki 日章旗 ou bandeira do sol), simboliza o sol e foi oficialmente adotada pela Dieta Japonesa em agosto de 1999, quando a Lei da Bandeira e Hino Nacional foi promulgada. A origem exata do hinomaru não é clara, mas muitos apontam para o século XII, quando ele apareceu durante uma campanha militar. Historicamente, o hinomaru é um símbolo do reinado do imperador "divino". O nome do país, Nippon ou Nihon, é tipicamente traduzido como "Terra do Sol Nascente" ou "Fonte do Sol". O hino nacional do país, o kimigayo 君が代, também oficialmente adotado em 1999, é uma canção de louvor ao imperador. Sua letra significa basicamente "Que o imperador reine para sempre". O brasão da família imperial, o crisântemo, é usado na capa dos passaportes japoneses.



Kimigayo 

Kimi ga yo wa

Chiyo ni yachiyo ni

Sazare ishi no

Iwao to nari te

Koke no musu made



Que o reinado do Imperador continue por

1000, ou melhor, 8000 gerações e pela

eternidade que leva para que pequenos seixos

cresçam e se tornem uma grande rocha e fiquem cobertos

de musgo.



quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Divindades Shintō (Kami), Animais Sobrenaturais, Criaturas e Metamorfos

Muitas divindades Shintō no Japão incorporam atributos budistas.

Muitas divindades budistas no Japão incorporam atributos Shintō.

As duas religiões estão inexoravelmente interligadas, apesar dos esforços anteriores para separá-las.


O panteão Shintō de kami 神 (espíritos) inclui inúmeras divindades e inúmeras criaturas sobrenaturais. O termo KAMI pode se referir a deuses, deusas, ancestrais e toda a variedade de espíritos que habitam a água, pedras, árvores, grama e outros objetos naturais. Esses objetos não são símbolos dos espíritos. Em vez disso, são as moradas nas quais os espíritos residem. A morada do kami é considerada sagrada e geralmente é cercada por um shimenawa (corda enfeitada com papel branco sagrado). Os japoneses acreditam que este mundo é habitado por essa miríade de kami — espíritos que podem fazer o bem ou o mal. Esses espíritos estão constantemente aumentando em número, como expresso na frase japonesa Yaoyorozu no Kami八百万神 — literalmente "os oito milhões de kami".


Kami não são necessariamente benevolentes. Existem vários espíritos e demônios xintoístas que devem ser apaziguados para evitar calamidades, mas não há dicotomia absoluta entre o bem e o mal. Todos os fenômenos manifestam características "ásperas" e "gentis". O renomado estudioso japonês Motoori Norinaga本居宣長 (1730-1801) definiu kami como qualquer coisa que fosse "superlativamente inspiradora de temor", nobre ou vil, boa ou má, áspera ou gentil, forte ou fraca, elevada ou submersa. Não há um padrão definitivo de bem e mal, não há um código moral. As coisas são como são. Até mesmo o maligno Kappa sugador de sangue tem algumas qualidades redentoras — ou seja, quando benevolente, o Kappa é um professor habilidoso na arte de colocação de ossos e outras práticas médicas. 


Ao contrário do budismo , cujas divindades são geralmente sem gênero ou masculinas, a tradição xintoísta há muito reverencia o elemento feminino. O imperador do Japão, ainda hoje, reivindica descendência direta da Deusa do Sol xintoísta Amaterasu . No Japão moderno, tanto a prática xintoísta quanto a budista entre o povo comum assumiram o ar de "benefícios deste mundo" (recompensas concretas agora; Jp. = 現世利益, Genze Riyaku). Para muitos japoneses, a fé xintoísta e budista está principalmente envolvida com petições e orações por lucros comerciais, a segurança da casa, sucesso em exames de admissão à escola, parto sem dor e outras recompensas concretas agora, nesta vida. As divindades xintoístas são chamadas de KAMI 神, SHIN 神, JIN 神, SAMA 様, TENJIN 天神, GONGEN権現 e MYŌJIN 明神 para distingui-las de suas contrapartes budistas. Estes últimos são conhecidos como BUTSU 佛 e 仏 e NYORAI如来 (todos significam Buda ou Tathagata), BOSATSU菩薩 (que significa Bodhisattva), TEN天 (que significa Deva), MYŌ-Ō明王 (que significa Reis Luminescentes). 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Hachiman - Deus da Guerra do Xintoísmo Japonês

Hachiman era o guardião do clã Minamoto de samurais. Minamoto no Yoshiie, ao atingir a maioridade no Santuário Iwashimuzu em Kyoto, adotou o nome Hachiman Taro Yoshiie e, por meio de sua proeza militar e virtude como líder, tornou-se considerado e respeitado como o samurai ideal ao longo dos tempos. Seu descendente, Minamoto no Yoritomo, tornou-se shogun e estabeleceu o xogunato Kamakura no final do século XII. Yoritomo reconstruiu o Santuário Tsurugaoka Hachiman em Kamakura e iniciou a reverência de Hachiman como o guardião de seu clã.


Ao longo do período medieval japonês, a adoração de Hachiman se espalhou pelo Japão não apenas entre os samurais, mas também entre os camponeses. Tanto era sua popularidade que atualmente há mais santuários, totalizando mais de 30.000, no Japão dedicados a Hachiman do que a qualquer outro kami. O Santuário Usa na província de Oita é o santuário principal de todos esses santuários e, junto com o Santuário Tsurugaoka Hachiman e o Santuário Iwashimuzu, são considerados os mais importantes de todos os santuários dedicados a Hachiman.


Brasão dos Santuários Hachimangū



Diz a Enciclopédia do Xintoísmo (Universidade Kokugakuin): 

"O tomoe mon 巴文 em espiral serviu como brasão dos santuários Hachiman, e se espalhou amplamente no período medieval como resultado da dedicação frequente (kanjō 勧請) dos santuários Hachiman por famílias guerreiras."



Sobre o Tomoe : O caractere tomoe 巴 significa redemoinho ou redemoinho; no entanto, não está claro se essa era a ideia original do design. Alguns estudiosos estão convencidos de que ele deriva do design em roupas de couro usadas por arqueiros antigos (tomo 鞆, portanto tomo-e 鞆絵), uma imagem tomo. Outros dizem que era originalmente uma representação de uma cobra enrolada. Pode ser o design mais antigo do Japão, porque é semelhante em formato às contas magatama勾玉 do período Yayoi. Ele aparece como um design nas pinturas murais do Byoudouin Hououdou平等院鳳凰堂 (1053; Kyoto) e no pergaminho ilustrado do Conto de Genji (Genji monogatari emaki 源氏物語絵巻) do início do século XII. 

Foi amplamente usado do período Kamakura em diante e é frequentemente encontrado em utensílios, telhas e heráldica familiar e de santuários. Sua aparição frequente em conexão com santuários xintoístas indica que se pensava que expressava o espírito dos deuses. Existem padrões de um, dois e três tomoe, alguns voltados para a esquerda, outros para a direita. 




Um pilar do tipo shinmei * shinmei torii神明鳥居, sem curvas nos membros horizontais. Semelhante ao * kasuga torii春日鳥居, mas com uma diferença:

 As extremidades do lintel superior reto * kasagi笠木 e do lintel secundário * shimaki島木, são cortadas com uma inclinação para baixo. 
O primeiro projeta uma linha imaginária diretamente para o centro da parte inferior do pilar. O último projeta uma linha imaginária para a borda externa onde o pilar e a linha de solo se encontram.

 Os pilares circulares afunilam ligeiramente em direção ao topo e têm uma inclinação para dentro * uchikorobi 内転. 

A viga de amarração * nuki貫, é quadrada na seção, e há um suporte centralizado, gakuzuka額束, entre a viga de amarração e o lintel secundário. Exemplo, Iwashimizu Hachimanguu 石清水八幡宮 em Kyoto. 

O torii deste último santuário é incomum porque não possui cunhas * kusabi 楔, inseridas para fortalecer a junta onde a viga de ligação penetra nos pilares.






quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Transição para a espiritualidade, ética e moral






 Então, qual é esse estranho desenvolvimento? Vamos dar uma olhada em uma passagem.

 ``Aqueles que praticam esta escola , com a espada do seu coração, devem ser ganancioso, furioso e estúpido, os três venenos , uma descrição que diz: “Ele está cortando o corpo sem abrigá-lo no peito”.

  O objetivo de eliminar ou "cortar" os três venenos, que não estavam em um estado mental ideal, com a “espada do lucro” era matar o inimigo. Porém, conforme mostrado abaixo, as nuances das partes a seguir são diferentes.

 "Isso se aplica a palavras e ações cotidianas..... Mesmo que você faça algo bom e as pessoas não saibam disso tristeza. Não fique aí. Quando a tristeza passa ambicioso torna-se. 

Estude e adquira conhecimentos, comporte-se adequadamente e não negligencie a etiqueta. Em vez de usar a esgrima para derrotar aqueles que se opõem a você, você deve se concentrar em seu próprio corpo.

 "Aprenda a arte de usar a espada para cortar os três venenos que prejudicam os verdadeiros sentimentos."

 Afastando-se das questões tecnológicas, as questões agora se concentram nas questões do coração e do espírito. E esse espírito não é mais sobre como você mantém sua mente quando está lutando com um inimigo, mas sobre o quão admirável você é como pessoa. A questão é a chamada espiritualidade ética e moral na vida diária, e a realização disso. o espírito é a “espada do lucro para a mente”.

 O tema era como um samurai deveria viver, e a imagem do samurai ideal da época já havia sido formada com base no pensamento confucionista. Não vou entrar nisso separadamente porque é um pouco fora do assunto, mas aqui você pode ver a ideia de que a espada é o que torna o samurai ideal realidade.